O centro-campista Zidane, maior esperança da seleção francesa, fez o último jogo de sua vitoriosa carreira aos 34 anos e manchou o seu adeus com uma expulsão na prorrogação após uma cabeçada desleal no peito do Materazzi.
O camisa 10 da França era, até então, a referência única de futebol-arte nesta Copa do Mundo, que terminou sob a marca da burocracia dentro de campo e com a imagem da forte marcação prevalecendo sobre a técnica e as jogadas bonitas.
Zidane vinha caminhando ao longo da partida por um caminho que poderia premiar a sua carreira com mais um título mundial. Fez grandes jogadas, as únicas bonitas do confronto, conduziu sua equipe e já havia marcado um golo. Mas descontrolou-se ao receber provocação.
Em um lance infantil, passou de herói a vilão e viu a sua imagem de "intocável" ser arranhada. Ele foi insultado por Materazzi após um lance dentro da área italiana, quando resolveu se virar e agredir o adversário. Desferiu uma cabeçada forte e violenta no peito do atleta, que caiu em campo. O auxiliar viu e avisou o árbitro Horácio Elizondo, que acabou por expulsa-lo com um cartão vermelha.
No entanto, diz-se nos bastidores da media desportiva internacional que, segundo os peritos em decifrar os movimentos de lábios, Materazzi insultou Zidane, filho de imigrantes Argelinos, com expressões repugnantes tais como "árabe terrorista" e "filho de uma pu** terrorista", "vou matar a sua mãe e irmãs."
Apesar de negar que Materazzi chamou-lhe de terrorista numa entrevista ao vivo à emissora francesa da TV Canal Plus hoje, Zidane afirmou: "ele puxou minha camisa várias vezes e eu lhe disse que poderíamos trocar camisas no fim do jogo, se ele quisesse".
"Então, ele disse palavras muito duras sobre minha mãe e minha irmã. Tentei não lhe dar ouvidos, mas ele continuou repetindo", afirmou Zidane.
"Sabia que era o meu último jogo e sabia que faltavam apenas 10 minutos, mas as coisas aconteceram muito rapidamente", acrescentou ele. "Sou homem antes de qualquer outra coisa."
Zidane disse estar preparado para encarar qualquer tipo de audiência e destacou estar confiante quanto ao resultado da investigação da FIFA.
"Se alguém puder ler os lábios (de Materazzi), verá que estou dizendo a verdade. O verdadeiro culpado deve ser punido", afirmou Zidane.
"Não quero atacar ninguém, mas quero me defender. Fiz algo errado e fui punido por isso. Acabei sozinho no vestiário. Mas fui provocado e reagi. Sempre quem reage é punido, nunca quem provoca, e isso não é justo", acrescentou ele.
Bem, será que estas ultimas revelações e especulações fazem de Zidane uma vítima e devolve-lhe de novo o título de herói nacional francês? Ou continaurá ele a ser o vilão?
Por outro lado, deve Materazzi ser visto como a verdadeira vítima ou o astuto vilão do jogo?
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