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Raso apontamento ... sobre a língua portuguesa entre nós...

 
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forcv
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Joined: 11 Oct 2005
Posts: 206

PostPosted: Fri Feb 16, 2007 3:01 am    Post subject: Raso apontamento ... sobre a língua portuguesa entre nós... Reply with quote


Link:http://jassstewart.com/index.htm


Raso apontamento, em jeito de desabafo, sobre a língua portuguesa entre nós, em dia de namorados


Autor: Dr. Jorge C. Fonseca jcfonseca@cvtelecom.cv

Colunista do expressodasilhas.cv e colaborador com a FORCV.com

Praia 15/02/07- 1. Pode julgar-se que se trata de uma questão menor; possivelmente, a maioria dos responsáveis políticos (incluímos os da oposição) e dos cidadãos achará que o tema é apenas preocupação de meia dúzia de intelectuais («inorgânicos»). Numa altura em que o país lida com problemas de segurança, de administração da justiça, de reformas cruciais na segurança social e na função pública ou, ainda, com a procura de um estatuto especial junto da União Europeia, terá algum sentido, será oportuno vir alguém falar do estado da língua oficial em Cabo Verde? Da política da língua?


2. A verdade é que, se quiséssemos responder com objectividade à pergunta «qual é o estado da língua portuguesa em Cabo Verde», não poderíamos deixar de dizer algo próximo do seguinte: uma calamidade, um desastre.
Ninguém pode negar que, hoje, um estudante médio do ensino superior escreve como um aluno médio da terceira classe de há uns quarenta anos. A maioria dos quadros superiores, mesmo os formados em Portugal ou no Brasil, em áreas como o direito, as demais ciências sociais ou até a literatura, não consegue estruturar uma frase em língua portuguesa. Há sentenças judiciais e outras peças processuais escritas por magistrados do Ministério Público ou por advogados que nos lembram as redacções sobre O boi, feitas pelos miúdos da antiga segunda classe: textos franciscanos na sua construção e desenvolvimento, ingénuos nos ingredientes linguísticos que utilizam, prenhes de erros de morfologia e sintaxe (falamos da sintaxe de concordância). Bastaria, ainda, ler ou ouvir intervenções de deputados, autarcas e governantes ou políticos para medirmos o estado de saúde da língua oficial em Cabo Verde.

3. O problema não é de hoje, aliás. Recordo-me de, em 1991 ou 1992, numa sessão do Conselho de Ministros, a propósito de um assunto relativo à política de educação, ter feito uma declaração, aparentemente hiperbólica, que, talvez por isso mesmo, terá suscitado junto dos colegas de então apenas uma reacção de incredulidade (nuns) ou um largo sorriso de indulgência (noutros). Asseverara que, a não ser adoptada uma clara, ponderada e inteligente política da língua – uma demarcação de «territórios» entre o crioulo e o português, com base em estudos sérios - seríamos obrigados, dentro de quinze a vinte anos, a fazer uso de intérpretes de língua portuguesa nas sessões do Conselho ou do Parlamento.

4. O problema não é só nosso, dos cabo-verdianos. Mas temos uma particularidade que, para os entendidos (ou, por vezes, os mais ousados, simplesmente), se traduz, melhor, se acantona no problema da diglossia. Será isso ou apenas isso?
Se assim for, que se agarre, então, nele e encontre soluço adequada e eficaz, não o sendo seguramente o mero discurso político, ideológico ou técnico.

5. Quando lemos um anúncio público a exigir «domínio da língua portuguesa e inglesa» a candidatas a um lugar de secretária numa empresa indígena, perguntamo-nos se a exigência é séria, provocatória ou fundada na ignorância total da realidade local.
Porque, caros leitores, não cremos que, por uma espécie de mágica devoção colectiva, de repente passemos todos – provavelmente sem grande esforço – a expressar-nos, com rigor, na língua de Shakespeare, como alvitram alguns entusiastas da comunicação globalizada. Da mesma forma como nos parece relevar do mero assomo emocionado de um voluntarismo patriótico pretender-se que, com a oficialização do crioulo, o problema de fundo ficará resolvido.

6. A língua é um instrumento de comunicação e, portanto, do desenvolvimento. Falar e escrever bem o crioulo importará igualmente – como qualquer outro idioma que se queira eficaz – estudo, aprendizagem séria e demorada, domínio de seus instrumentos essenciais. O crioulo que, eventualmente, venha a ser nossa língua oficial (efectivamente) e ferramenta do desenvolvimento integral do país (educativo, cultural) e de uma sua afirmação no ser-com-os-outros, não será certamente o crioulo de hoje, o que todos falamos e alguns poucos tentam escrever. [terá apenas o sentido de uma imensa piada o que ouvimos dizer de um nosso artista que teria assegurado ser capaz de, numa tarde e no meio de uns grogues, traduzir para crioulo o Código Penal]

7. A questão… da língua portuguesa entre nós resumir-se-á, de facto, à diglossia? Ou haverá também algum, diríamos, equívoco nacionalista fora de época ? Não será, em parte, reflexo de um problema mais geral da política de ensino no país? Enfim, de uma atitude cultural que não privilegia o esforço e faz louvação do «realismo», do «prático» e do jogo da bisca?!

8. Seguro é que, mesmo em dia de namorados, não nos conformamos que um nosso ministro ou secretário apenas seja capaz de repetir coisas deste género: «é para dizer que, digamos, o colega que interviu, portanto, antes de mim, está ignorando que estamos a trabalhar, digamos, no sentido de implementarmos, portanto, projectos visando a eficácia e a eficiência de medidas de política que trazem mais e melhor pão, mais e melhor ensino, mais e melhor cultura…».


Link:http://bpe.org/btr/index.html
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Kakau



Joined: 23 Feb 2006
Posts: 271

PostPosted: Sat Feb 17, 2007 2:47 pm    Post subject: Reply with quote

Bom, Zona, (so ka nhu xatia ku mi pamodi n'refiri nho komo "zona", nominhu di nho), ami nha opinion eh o seguinte: razon prinsipal sobre fraku dominio, ou seja fraku fluensia ki kabuverdianus tem na Portugues tem a ver ku (1) historia di Kabu Verdi, (2) psikologia di kabuverdianus y (3) politika di lingua portugueza.

Em relason a pontu numero (1), sima nhu sabi dretu, Kabuverdianus tevi um papel "peculiar" na historia di portugueses na Africa. Kabuverdianu foi minino mandado di portugues. kabuverdianu aseita seh estado di "minino mandado", mas nao di um forma 100%, ou seja, na fundo, kabuverdianu ka fika satisfeito ku seh situation intermediaria na pre-independensia di luso Afrika. Papel ki kabuverdianu faze na guera di independensia di PALOPs ta fortifika kel argumento li.

Y ainda mas, na fundu di kurason di Kabuverdiano, Kriolu, lingua materna di Kabu Verdi, ta izemplifika seh historika, seh psikulugia, y seh kultura, por isu nunka eh ka ta skesi ou dizespreza Kriolu, pamodi Kriolu ta reprezenta seh alma, seh ixestensia. N'podi fla propi ma kel kontextu li ta izemplifika pontu numeru (2) di kontextu universal kabuverdianu.

Ma, a mesmo tempu, Kriolu, ka tem viabilidadi em termus internasional. Ten poku guentis nes mundu li ki ta papia Kriolu Kabuverdianu alem di nos. Parsem propi ma Guinenses o talves guentis di Aruba or Curacao eh unikos guentis nes mundo ki ta intendi nos lingua. Ma, mesmu assin, y apesar di kel "statement" li, portugues, eh ka nos lingua, nu ta uzal somenti komu um "tool" internasional ora ki nu ten ki papia y kumunika ku estrageirus na Kabu Verdi y na mundu fora. Keli eh um situason perfeitamenti kompreemsivel na kontextu internasional di politika externa y realidade ekunomika di Kabu Verdi. Di kualker forma, Kriolu eh o ki ki el eh, lingua materna di kabu Verdi, kriason linguistiku original di kabuverdianu. Kriolu tem ki ser (A) Valorizado, (B) ofisializado y (C) inxinado na skola di primera klasse a desimu segundo ano y na Universidade tambe. Ora ki projetu A, B y C ser materilizdo n'tem serteza absuta ma problema di fraku dominio ki Portugues na kabu Verdi ta diminui. Apartir di la, ora ki projetu A, B y C for implementado na ensino, alunos kabuverdianus ta fika ta sabi midjor estrutura di ses lingua materna, Kriolu, ki eh importante na ses aprendezagem di otus linguas, inkluindo Portugues. Di kel manera li, kel fenomeno vergonhozu ki txoma "criolez" ta dizaparesi.

Papia Portugues na kabu Verde: Bazofaria, Mania ou Nesesidade?

Na Kabo Verdi, tem uns guentis ki tem manias, sem nesesidadi, di papia portugues pes podi fazi basofaria, ou seja, pes tenta xinti ma es eh mas spertu ô mas inteligenti ki otu alguem (kes ki ka tem dominiu na lingua portugueza) so pamodi es sabi papia y skrebi lingua di Camoes. Kel mentalidadi li sta eradu. Fluensia na um lingua ka ta siginifika sperteza nem intelektualidadi superior. Fluensia na un lingua ta siguinifika somente kontatu ku kel lingua, mas nada. Y alem di mas, inteligensia real propi tem ki ser medidu dum forma geral, nao so a ver ku fluesia na um kualker lingua. Na kel kontextu li, maioria di Kabuverdianus sta diakordu ku nôs, promotores di ofisializason di Kriolu, ou seja kriolistas. Pake ki funsionarios y membros di governo tem ki papia na Portugues sabendo ki maioria di sidadons ka tem intendi portugues dretu? Ami komu um grande apoiadador di Senhor Doutor Manuel Veiga, ki mi eh, n'atxa, ma membros di Governo di Kabu Verdi devia papia na Kriolu na parlamento, na radio y na telivison nasional.

Finalmente, em termos di politika di lingua portugueza, ponto numeru trez (3), ami n'ta atxa ma kel asuntu li, ou seja, problema, eh global. Eh ka so kabuverdianus ki tem problema ku dominiu na portugues. Portugues propi(sidadons nativo di portugal) ka tem dominio na lingua portugueza. Pamodi? Politika di lingua portugeza eh konservadora, ou seja, eh ka demokratiko. Ami eh exemplo tipiko. N'studa oito anu na kabu Verdi, ma mesmo assim, n'ta ka tem dominio nem fluensia na portugues. Na Ingles, ami eh fluente. Y sibem ki Ingles eh ka lingua fasil di prendi, n'predel simeh. Pamodi kim ka prendi portugues? Eh pamodi psikologia geral di lingual portuguesa ta impedi, ou seja, ka ta insentiva membrus di massas pa aperfeisoa ses portugues, pamodi na perspetiva di elites di mundu luso si membrus di masas aperfeisoa ses portugues diferensas di klasses ta fika mutu menos definidu. Pur exemplo, si nu tra dominiu ou fluensia di portugues ki nhu (Zona) tem, pa lado, nhu ta atxa ma povu inda podi ta fika ta konsidera nhô komu um intelektual intiligenti?


Last edited by Kakau on Sun Feb 18, 2007 2:00 pm; edited 4 times in total
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Dalvio Lopes



Joined: 13 Feb 2007
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PostPosted: Sat Feb 17, 2007 8:40 pm    Post subject: sim senhor Reply with quote

djam ler djam re-ler bu critica um txiga um conclusau pamo ki nos caboverdianu nu ta priocupa ku portugues e no ta eskesi di nos kriolo
sera ki nos lingua kriolo e menos importanti di qualker lingua un tem vontadi di odja kriola ta ser falado na qualker reparticau publico pamodi ki nao cheus caboverdianu tem na menti kel manias di ser branco o ser portugues nos e caboverdianu dja sta na ora nu encara realidadi nos lingua materna e kriolo nu tem ki dal mas valor

ki tempu ki nhos ta para di perocupa ku asunto ki otos
e nu trata di nos
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Dalvio Lopes



Joined: 13 Feb 2007
Posts: 7

PostPosted: Thu Mar 08, 2007 9:26 pm    Post subject: nu preokupa ku kriolu pa nu odja si nu ta lebal mas alem Reply with quote

deskulpan sin ka sta di bu agradu cuze ki lebabu escrebi kel tema sobre
portugues si nos nu sta interessadu na kriolu.Cabo Verde nunka ka ta bai pa frenti pamodi nu ta eskesi di problemas sobri nos terra pa nu bai meta cabeca na asuntu ki realmenti ka tem muito importancia portugues e lingua ki dja ta plantadu na raiz caboverdiana e se pe sta bem finkadu na txon cosin e pa nu preokupa ku kriolu pa nu odja si nu ta lebal mas alem
mi e un studandi ki cosin sta quasi kaba skola mas un tinha vontadi di un dia studaba num skola un di ki ta insinaba kriolu mas kela ate di ki ta morri un sabi kel nha sonhu li e impossivel realiza pamodi un ka sta odja nenhun interresi nes asuntu na computor tudo dia sta screbedu des tema mas na pratica un ka teni nenhum imformacau sobri es ''linguagen politika''
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Kakau



Joined: 23 Feb 2006
Posts: 271

PostPosted: Thu Mar 08, 2007 9:54 pm    Post subject: Reply with quote

Sr. Dalvio Lopes, ofisionalizason y valorizason di Kriolu ta komesa na atus di mi ku bo y ku kes otus kabuverdianus ki sta na Kabu Verdi y di kes ki sta diaspora tambe. Eh nos ki tem ki leba kel inisiativa li pa frenti. Si nu denxa so pa governandis di Kabu Verdi, kriolu ta fika ka ta ser ofisializadu. Bu sabi eh pamodi? Governantes na Kabu Verdi tem komplexu di inferioridadi em relason a Kriolu. Pes xinti spertu es tem ki papia na Portugues.
Kel mentalidadi atrasadu li, eh mi ku bo ku kes otus revolusionarios, ou seja, kriolistas, ki tem ki mudal. Portantu, pa kumesa ku revoluson linguistika, ou seja, total valorizason di Kriolu na Kabu Verdi, nu debi skrebi so na Kriolu na tudu instansia, ker ser ofisial o nao. Na komputador nu skrebi na Kriolu. Ora ki nu skrebi kartas pa deputados o membros di governu na Kabu Verdi nu skrebi na Kriolu. Y si algum dia nu tiver oportunidadi di papia na parlamento, nu papia na Kriolu. Ora ki nu skrebi karta pa nos familia y amigos na Kabu Verdi nu skrebi na Kriolu.
Em fim, undi nu bai, undi nu sta, nu skrebi y nu papia na Kriolu, nos lingua materna. Eh so ki kel manera ki nu ta poi kriolu la na puleru undi eh meresi sta.
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