Mais do que saber “quem é o líder?”, neste momento o MPD precisa de criar todas as condições para poder funcionar como Partido Político - por sinal o maior da oposição, representando 44% (74.600 votos) dos 168.966 votos úteis das últimas Eleições Legislativas.
Mais prioritário do que eleger um novo líder, o MPD, enquanto Partido Político, tem dois objectivos imediatos a cumprir:
- Por um lado, é necessário ORGANIZAR urgentemente o Partido, atiçando as forças vivas do Movimento; organizar a Base de Dados, as informações dos militantes, organizar a tesouraria, melhorar a estrutura interna de funcionamento, melhorar a performance de comunicação e imagem; introduzir a cultura de quotização, como sendo forma razoável de manter e sustentar minimamente a estrutura do partido, assim como colectar outras receitas para próximas embates que se avizinham;
- Por outro lado, o MPD tem já no horizonte bem próximo, as próximas eleições autárquicas, daqui a 2 anos, e é preciso começar a trabalhar e a preparar essas eleições.
Portanto, a meu ver, um cenário de eleições “renhidas” (e divisionistas) para uma nova liderança, neste momento, não iria ser uma mais valia nenhuma para o partido, muito pelo contrário.
A acrescentar a isso, chama-se desde logo a atenção aos aproveitamentos e às campanhas sensacionalistas que certos sectores bem identificados e bem treinados nessas andanças (o PAICV) irão fazer, lançando ainda mais confusão, baralhando e pondo em causa todo o equilíbrio que o MPD tanto precisa para se concentrar nas autárquicas.
Ao contrário de eleições para líder, eu defendo a criação de uma «Comissão Política Gestão» com o mandato claro de cumprir os objectivos imediatos que o MPD tem pela frente, isto é, a organização do partido e a preparação das autárquicas.
Essa «Comissão Política de Gestão» seria constituída por 9 pessoas, representantes de todas as ilhas:
- Santo Antão (SA)
- São Vicente (SV)
- São Nicolau (SN)
- Sal (SL)
- Boa Vista (BV)
- Maio (MA)
- Santiago (ST)
- Fogo (FG)
- Brava (BV)
- [não esquecer de reforçar os representantes do partido na Diáspora: África, Áméricas e Europa]
De entre os 9 representantes, seria eleito um para presidir a Comissão de Gestão.
Cada representante seria responsável pela organização descentralizada do Partido, com a missão de constituir equipas de trabalho, planificar as acções do partido localmente e gerir os representantes dos círculos eleitorais, delegando ainda responsabilidades para a implementação da cultura de quotização dos simpatizantes e militantes, por círculos eleitorais/por bairros.
Penso que dessa forma o MPD estaria a dar um sinal claro de Mudança, dando a cara por todas as ilhas, enquadrado dentro de uma nova filosofia de descentralização, que se pretende para o próprio país.
Posto isso, podemos agora discutir livremente e localmente sobre os nomes e as escolhas para cada uma das representações regionais do partido, que pelos sinais de vitalidade que está a dar, mostra que o MPD ao contrário do que muitos julgam, está mais forte do que nunca.