Como Está a Credibilidade Externa de Cabo Verde?
Está semana, O Sr. Domingos Mascarenhas, Secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros, Cooperação e Comunidades, fez a seguinte avaliação da imagem externa do País:
“Os cabo-verdianos têm vindo a acompanhar, com relativa frequência, debates entre sujeitos políticos nacionais em torno da questão da credibilidade externa do país, podendo cada um de nós colocar-se a pergunta sobre a razão de ser de tais debates, mormente no Parlamento, a sede por excelência da nossa democracia representativa.
…Em verdade, quem não se lembra das dificuldades que os nossos empresários enfrentaram de 1997 a 2000 para honrar os seus compromissos com fornecedores estrangeiros devido à falta de divisas? Quem não se lembra dos nossos estudantes bolseiros e funcionários públicos colocados no exterior que ficavam meses e meses à espera de receber a sua bolsa ou vencimento? Por tantas agruras passaram!... Mas quem não se lembra também dos crónicos atrasos no pagamento dos vencimentos dos funcionários e dos salários dos trabalhadores da FAIMO? E, ainda, quem não se lembra dos atrasos vergonhosos no pagamento das pensões de sobrevivência aos carenciados?
Não menos grave do que tudo isso, deixámos de poder honrar os nossos compromissos ao nível do serviço da dívida, interna e externa.
Estes exemplos são atestados de má governação do país, essencialmente na segunda metade dos anos 90, a qual minou completamente a credibilidade de Cabo Verde junto dos seus principais parceiros de desenvolvimento, com destaque para as instituições financeiras internacionais e os mais importantes parceiros bilaterais e multilaterais.
Objectivamente, Cabo Verde deixara de ser um país credível, confiável. Governos e instituições estrangeiros já não acreditavam em Cabo Verde. A nossa palavra deixou de ser considerada e a nossa acção suscitava desconfiança e dúvida.
Ora, para um país como Cabo Verde, tal situação era de todo insustentável. E os cabo-verdianos sentiram isso na pele, visto que os investidores não investiam, preferindo adiar projectos; a comunidade internacional foi marcando distanciamento em relação a importantes projectos de desenvolvimento e mesmo os que já se encontravam em curso ficaram paralisados por falta de desembolso de financiamentos.
Todos sabemos quão difíceis foram os primeiros anos da presente legislatura no plano da recuperação da estabilidade macro-económica e do reatamento de relações de confiança com os parceiros internacionais, sem esquecer a recuperação da confiança dos operadores económicos no país.
Todos pudemos testemunhar a forma serena, inteligente e determinada como o Governo de José Maria Neves soube e pôde trabalhar para resgatar o prestígio e a credibilidade do Estado de Cabo Verde lá fora. E não há que procurar outro, pois o termo exacto é mesmo resgatar, tão abalada que se encontrava a nossa credibilidade lá fora, em resultado da irresponsabilidade doméstica que se tinha instalado no campo da gestão da coisa pública, com particular gravidade no domínio das finanças públicas.
Entretanto, durante estes quatro anos os cabo-verdianos não mais ouviram falar de falta de divisas, de salários e vencimentos em atraso, de bolsas não pagas, nem de pensões de sobrevivência ou outras prestações em atraso. O nosso desempenho em relação ao serviço da dívida externa é apontado como exemplar. Tudo graças ao facto de o país ter passado a ser gerido com seriedade, com verdade. Em resumo, a irresponsabilidade cedeu lugar à boa governação, outro conceito que também incomoda alguns políticos, que de ilha em ilha vão procurando dar-lhe a sua interpretação de conveniência. Como quer que expliquem, espera-se que não cheguem ao cúmulo de dizer que não pagar salários, bolsas e pensões é praticar boa governação. Seria total desprezo à inteligência dos cabo-verdianos.”
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Esta nota introdutória sao as palavras do Sr. Domingos Mascarenhas, Secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros, Cooperação e Comunidades, que apesar de sua honestidade e objectividade, nao se encontra em posição ideal para fazer uma avaliação neutral e imparcial da imagem externa de Cabo Verde liderada pelo governo a qual ele pertence. Achamos melhor fazer a mesma pergunta a voces, nossos estimados leitores, visto que voces não sentem tanta obrigação laboral ou partidária de defender os actos de nenhum grupo politico ou ideologico:
Como está a credibilidade externa de Cabo Verde?
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