BEBÉ MORRE POR FALTA DE LEITE NA CALHETA
A notícia é chocante sobretudo porque nos consideramos um povo solidário e de muita morabeza. É chocante também quando temos um governo e uma Câmara que reiteradamente dizem estar atentos às necessidades das populações. A notícia foi avançada na manhã de hoje pelo correspondente da Rádio de Cabo Verde na Calheta de S. Miguel, Jorge Santos, que confessou preocupar-se por “questões sociais”, justificando assim a notícia de uma bebé que terá falecido por má nutrição
Calheta, 16 Fevereiro - “Ontem, à noite faleceu uma das gémeas de Ana Reiza Sanches”, conhecida pela vizinhança por Deda, “alegadamente por má nutrição”. Conta Jorge Santos, correspondente da Rádio de Cabo Verde na Calheta de S. Miguel que a criança falecida “nasceu há um mês no Hospital Agostinho Neto”, na Praia. Num parto considerado difícil, o nascimento das gémeas só foi possível através de uma intervenção cirúrgica.
Deda garante que “para além de não ter leite materno para sustentar as duas filhas gémeas, também não tem condições financeiras para comprar o leite substituto”. A viver em condições desumanas, Deda, mãe de cinco filhos com apenas 23 anos de idade, “foi abandonada pelo pai das duas gémeas, ainda em fase de gestação”.
Sabendo das muitas dificuldades por que passa, Deda ainda “escreveu uma carta para o Instituto Cabo-verdiano de Menores, na Praia, em Dezembro último, pedindo ao Instituto que a apoiasse com os meninos após parto”. Mas diz o jornalista que Deda “não recebeu qualquer visita da Instituição em sua casa, até agora”. O que recebeu foi uma equipa técnica do departamento do aleitamento materno do Hospital de S. Miguel, mas, até então, “não recebeu qualquer informação se há ou não condições para apoiá-la”.
A casa onde Deda vive é descrita pelo jornalista como sendo “uma casa infra-humana e que não tem condições de sobrevivência; em termos de habitabilidade é uma vergonha”. A viver na miséria com as suas crianças e tendo sido operada por altura do parto, Deda “não podia trabalhar para sustentar as gémeas e defendê-las da morte ou da má nutrição”. Perante a indignidade, uma das gémeas não conseguiu resistir a tanta miséria, resignando-se à vida. Faleceu à vista de todos, mesmo depois das tentativas de Deda de se socorrer junto das instituições de assistência social. A outra gémea ainda tenta resistir à falta de solidariedade das pessoas e à falta de políticas de assistência social por parte do governo e da Câmara, aguardando “as duas possibilidades: morte ou sobrevivência”.
A morte de uma das gémeas é outro problema que Deda, certamente, não consegue resolver: “ela não tem condições para enterrar o menino”, lamenta uma vizinha que promete tudo fazer para “ajudar Deda a enterrar a sua criança”.
O correspondente termina a sua notícia chamando atenção pelo facto de “as duas gémeas terem nascido no Hospital Agostinho Neto”, um hospital que “recebeu o certificado de Hospital amigo da criança em questões como o aleitamento materno”. Jorge Santos não entende por isso que, que um hospital certificado como amigo da criança “não crie condições” para que as crianças que ali nasçam tenham condições mínimas de assistência no aleitamento.
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ki seja midjor pa caboverdianos e pa Cabo Verde