Praia, Cabo Verde (PANA) - O acordo de mobilidade que permite fluxos migratórios regulares de cidadãos cabo-verdianos para França vai começar a ser implementado este ano, soube a PANA sexta-feira na Praia de fonte oficial.
O primeiro-ministro cabo-verdiano, José Maria Neves, abordou com a nova embaixadora de França, Marie-Christine Glas, a questão da aplicação do acordo assinado entre os dois países em Novembro passado em Paris.
Falando aos jornalistas após o encontro, Maria Neves anunciou que o seu Governo quer alargar gradualmente este tipo de acordo a outros países da União Europeia (UE).
A UE escolheu Cabo Verde e a Moldávia, em Dezembro de 2007, para uma experiência piloto com vista a facilitar a emigração e flexibilizar a circulação de pessoas de forma controlada.
O acordo de mobilidade entre França e Cabo Verde resultou de negociações iniciadas em Julho de 2007 e, segundo as partes envolvidas, traduz a "perfeita convergência" de pontos de vista em matéria de migração entre os dois países.
No âmbito do acordo, os Cabo-verdianos candidatos a um período de emigração temporária em França serão enquadrados em categorias específicas, havendo para cada categoria um número exacto de emigrantes autorizados anualmente.
O acordo prevê que aos jovens profissionais do grupo etário entre os 18 e os 35 anos serão concedidos 100 vistos, estando previsto também igual tratamento aos que se integram a categoria "competência talento", que engloba os quadros superiores.
Aos assalariados, correspondendo a uma lista de 40 profissões já definidas, serão concedidos 500 vistos.
O acordo abrangerá anualmente um máximo de 700 Cabo-verdianos e responde a “uma visão estratégica" do Governo do arquipélago nesta matéria.
Por sua vez, o Governo francês considera que o objectivo do acordo é também combater a emigração ilegal e criar um quadro que permita gerir a emigração de Cabo Verde, uma vez que, dessa maneira, criam-se "condições para que as pessoas possam ajudar a desenvolver" o arquipélago.
O acordo de mobilidade compreende também o reforço do combate à falsificação de documentos e a cooperação para desmantelar redes de imigração clandestina.
França compromete-se ainda a apoiar iniciativas de associações de imigrantes cabo-verdianos residentes no país e projectos de desenvolvimento em Cabo Verde.
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