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Comunidade Cabo-Verdiana em USA: Que Futuro?

 
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Napoleão Vieira Andrade
Guest





PostPosted: Wed May 31, 2006 12:47 am    Post subject: Comunidade Cabo-Verdiana em USA: Que Futuro? Reply with quote


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Violência ou Insegurança? Genericamente, as duas palavras - violência e insegurança - têm o mesmo entendimento para significar desmandos que afectam as ordens jurídica e social da população. Os dois vocábulos são empregados indistintamente para designar o descaso para com a segurança do cidadão, física, moral e social. Ainda que não sejam sinónimos perfeitos, os dois termos exprimem e expressam a mesma preocupação e provocam os mesmos desgastes, igualmente afectando a todos

Este artigo não tem a ousadia nem a intenção de analisar, mesmo que
superficialmente, a complexidade do fenómeno da violência humana, nem de criar conceitos, pois isto exigiria um necessário concerto de conhecimentos com embasamento científico, visto que o comportamento humano ainda continua sendo um universo quase indecifrável. Aqui apenas pretendemos despertar para a existência de dois fenómenos intrinsecamente relacionados - mas, para melhor entendimento, torna-se importante conhecer a duração de um acto ilegal enquanto só violência e, sem perder suas características originais, quando passa a caracterizar um estado de insegurança pública.

Compreendendo suas reais diferenças, é mais fácil concluir por uma adequada resolução, portanto, como colaboração, e a nosso modo, numa visão exclusivamente pedagógica para efeito de prevenção da violência e da promoção da segurança pública enquanto elemento civico, analisaremos a distinção entre um acto de pura violência e quando esta se transforma em insegurança, com suas graves repercussões para a população.

Intangível, porém, perceptível. A violência humana, que tem carácter hereditário, não se anula, mas se minimiza, estando sempre latente no homem e na mulher. Mesmo assim, a violência não se mostra como uma actividade plenamente espontânea, carece de outro estímulo para eclodir, ainda que esteja em potencial. Como ela está sempre orbitando às mentes, é possível aflorar quando são alinhados os ingredientes da criminalidade,

principalmente com o aparecimento de um agente activo de uma acção delituosa. Se não houver autodomínio, ou se inibe por uma forma de prevenção, ou ela logo se manifesta, exigindo reparação eficaz. Se o controlo da violência é necessário, a promoção da segurança é compulsória. Não é a violência que cresce, é a actividade de segurança que diminui. A violência está nas pessoas, mas a eclosão depende do ambiente, das circunstâncias e da eficiência dos mecanismos de controlo.

Violência ou Insegurança? Genericamente, as duas palavras - violência e insegurança - têm o mesmo entendimento para significar desmandos que afectam as ordens jurídica e social da população. Os dois vocábulos são empregados indistintamente para designar o descaso para com a segurança do cidadão, física, moral e social. Ainda que não sejam sinónimos perfeitos, os dois termos exprimem e expressam a mesma preocupação e provocam os mesmos desgastes, igualmente afectando a todos. Uma ou outra realidade provoca males e pavor nas pessoas, consumindo-as, deixando marcas indeléveis e irreversíveis, destruindo sonhos, causando medo e horror, retrocedendo. A diferença é que, no sentido estrito, a Violência se caracteriza por práticas anti-sociais restritas entre os mesmos agentes ou dentro de um mesmo espaço cultural, enquanto a Insegurança, que é a extensão da violência ou uma sequência desses actos, configura-se quando estas acções ultrapassam as pessoas dos executores e as fronteiras dos seus territórios ou as fazem de forma organizada, deliberada, causando intranquilidade pública. Enfim, Violência é a prática restrita dos actos, enquanto a Insegurança é a generalização dessas acções.

O Relatório Mundial sobre a Juventude 2005, divulgado pela ONU (Organização das Nações Unidas), revelou o quanto é difícil ser jovem no mundo urbanizado e globalizado, especialmente quando se vive em países como os EUA, onde as culturas das comunidades se interagem, com suas frustrações impostas pelo ritmo acelerado de desenvolvimento. Além dos números, mas sem perdê-los de vista, o documento permite ao leitor mais sensível avaliar o tamanho do desperdício de talentos, de sonhos e de energia de mudança que vem ocorrendo por falta de melhores oportunidades de educação, de trabalho e de lazer. Na maioria dos casos, a juventude só se torna objecto de uma política pública quando associada a estereótipos negativos.

De um total de 1,2 bilhão de jovens em todo o mundo, 200 milhões sobrevivem com menos de US$ 1 por dia, 88 milhões não têm empregos e 10 milhões possuem AIDS. Populações maiores que as de muitos países começam a beber cada vez mais cedo, estão mais vulneráveis a conflitos armados, à violência sexual e às doenças sexualmente transmissíveis - pessoas com idade entre 15 e 24 anos representam hoje a metade dos novos casos de contaminação do vírus HIV.

Este é um quadro que exige decisões urgentes de governos, de empresas

socialmente responsáveis e de organizações do terceiro sector. As medidas necessárias são bastante conhecidas. Ninguém, em sã consciência, discorda delas. Ou os países aumentam seus investimentos em políticas públicas voltadas aos jovens ou continuaremos reduzindo a pó os ideais de uma geração que pode fazer do mundo um lugar melhor para viver. Mas é preciso que sejam políticas públicas propositivas, e não reactivas.

Na maioria dos casos, a juventude só se torna objecto de uma quando associada a estereótipos negativos, como a delinquência, a violência e o abuso de drogas. Jovem é solução e não problema. É investimento e não despesa. É activo e não dívida social. É protagonista e não coadjuvante. O que ele quer e precisa é de políticas que lhe assegurem uma escola acessível e de qualidade, formação profissional adequada, oportunidades dignas de trabalho e renda, alternativas de lazer saudável e aconselhamento sobre reprodução e saúde sexual. O jovem necessita de apoio, atenção e perspectivas de auto-realização. Sem esse mínimo, nada garante que ele deixará de ser objecto de estatísticas preocupantes e vítima preferencial de um ciclo vicioso que, a rigor, compromete o futuro dos países.

Ciclo, sim, porque é uma situação que se arrasta e tem piorado ao longo do tempo. Vicioso, sim, porque os seus efeitos não interessam a ninguém. A sociedade perde com eles. O mundo perde com eles. Ou eliminamos as variáveis que ajudam a manter esse ciclo ou não poderemos garantir aos nossos jovens os direitos básicos de cidadania.

O estudo da ONU mostra ainda que a maioria dos problemas atinge indistintamente os jovens do mundo inteiro. O quadro, no entanto, é mais grave nos países em desenvolvimento. Vejamos a situação na comunidade cabo-verdiana-USA e de Cabo-Verde. Sem ter uma referencia estatística exacta, pode-se ver, à vista desarmada, que jovens que procuram emprego não conseguem trabalho porque não estão qualificados para ocupar as funções existentes. Jovens sem educação e trabalho estão condenados ao subemprego, à subcidadania e, por tabela, a uma espécie de subvida marcada pela ausência de perspectivas e de ambições positivas. São os filhos que a ONU chama de uma "cultura impulsionada pelos media" - não podem aspirar aos bens e valores cultivados por esses mesmos media e, o que é mais grave, acabam perdendo um dos mais nobres direitos relacionados à natureza humana, o direito de sonhar.

Não surpreende, portanto, que os jovens sejam hoje as principais vítimas da violência no país, das mortes por armas de fogo e das brigas de gangues.

Fonte: Liberal.com

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feedback from Manu salah
Guest





PostPosted: Wed May 31, 2006 5:41 pm    Post subject: Reply with quote

We live in the USA it needs to be written in English, the crime is being committed in the USA not Portugal or a Portuguess speaking country. Please lets get with it.
Thank you.
Manu salah
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Beato Sallu
Guest





PostPosted: Thu Jun 01, 2006 12:55 pm    Post subject: urgente@brasilseguranca.com.br Reply with quote

Violência & In-segurança (you can get it at a Brazilian website - brasilseguransa.com)
"Abolir a violência humana é uma utopia que nunca se concretizará em nenhum futuro."

Esta página apresentada aos leitores não tem a ousadia e nem a intenção de analisar, mesmo superficialmente, a complexidade do fenômeno da violência humana e nem criar conceitos, pois isto exigiria um necessário concerto de conhecimentos com embasamento científico, visto que o comportamento humano, ainda continua sendo um universo quase indecifrável. Aqui, apenas pretendemos despertar para a existência de dois fenômenos intrinsecamente relacionados, mas, para melhor entendimento, torna-se importante conhecer a duração de um ato ilegal enquanto só violência e, sem perder suas características originais, quando esta passa a caracterizar um estado de insegurança pública. Compreendendo suas reais diferenças é mais fácil concluir por uma adequada resolução, portanto, como colaboração e a nosso modo, numa visão exclusivamente policial, para efeito de prevenção da violência e da promoção da segurança pública, analisaremos a distinção entre um ato de pura violência e quando esta se transforma em insegurança, com suas graves repercussões para a população.
Intangível, porém, perceptível. A violência humana que tem caráter hereditário, não se anula, mas se minimiza, estando sempre latente no homem e na mulher. Mesmo assim, a violência não se mostra como uma atividade plenamente espontânea, carece de outro estímulo para eclodir, ainda que esteja em potencial. Como ela está sempre orbitando às mentes, é possível aflorar quando são alinhados os ingredientes da criminalidade, principalmente, com o aparecimento de um agente ativo de uma ação delituosa. Se não houver autodomínio, ou se inibe por uma forma de prevenção, ou, ela logo se manifesta, exigindo reparação eficaz. Se o controle da violência é necessário, a promoção da segurança é compulsória. Não é a violência que cresce, é a atividade de segurança que diminui. A violência está nas pessoas, mas, a eclosão depende do ambiente, das circunstâncias e da eficiência dos mecanismos de controle.
Violência ou Insegurança? Genericamente, as duas palavras violência e insegurança têm o mesmo entendimento para significar desmandos que afetam as ordens jurídica e social da população. Os dois vocábulos são empregados indistintamente para designar o descaso para com a segurança do cidadão, física, moral e social. Ainda que não sejam sinônimos perfeitos, os dois termos exprimem e expressam a mesma preocupação e provocam os mesmos desgastes, igualmente, afetando a todos. Uma ou outra realidade provoca males e pavor nas pessoas, consumindo-as, deixando marcas indeléveis e irreversíveis, destruindo sonhos, causando medo e horror, retrocedendo. A diferença é que, no sentido estrito, a Violência se caracteriza por práticas anti-sociais restritas entre os mesmos agentes ou dentro de um mesmo espaço cultural, enquanto a Insegurança, que é a extensão da violência ou uma seqüência desses atos, configura-se quando estas ações ultrapassam as pessoas dos executores e as fronteiras dos seus territórios ou as fazem de forma organizada, deliberada, causando intranqüilidade pública. Enfim, violência é a prática restrita dos atos, enquanto a insegurança é a generalização dessas ações. Exemplificando: uma desordem numa praça de esporte envolvendo os possíveis atletas é uma violência e uma atitude ilegal, enquanto que a insegurança é quando as ações delinqüentes saem da quadra e atingem a platéia que é a amostragem da população, portanto, preocupando a todos.
Na prática, é fácil estabelecer a diferença entre violência e insegurança. A princípio é necessário que se identifique a manifestação de uma violência real praticada por um determinado indivíduo ou segmento, que, por si só, já caracteriza o comportamento anômalo e ilegal, depois, verificar a hipótese de que a seqüência desses atos se estendeu ou possa se estender noutras direções e contra outras pessoas, logo, configura-se a existência de uma insegurança. Não se pode falar em insegurança, quando não se conhece o estágio e a qualidade da violência praticada. Ao nosso ver, em algumas graves ocorrências, a simples prática isolada de certos delitos já prediz a existência da iminente insegurança, a exemplo de todos os crimes organizados, os de formação de quadrilha e os crimes em série entre muitos, tais como tráfico de drogas e armas, pistolagem e tantos outros congêneres, pois qualquer pessoa pode ser alvo desses criminosos abjetos.
A violência, como uma das características humanas, não é provável que se possa erradicar, até porque ao longo dos tempos ela tem caminhado com as diversas civilizações sem que ninguém tenha interrompido o curso deste fenômeno também humano, no entanto é necessário que se mantenha sempre sob controle, a níveis aceitáveis. Abolir a violência humana é uma utopia que nunca se concretizará em nenhum futuro. Nem mesmo a educação nos bancos escolares por seguidos séculos vem se mostrando eficiente para tornar essa característica recessiva, pois ela é inerente à pessoa humana. Em qualquer estágio da evolução social, ela tem demonstrado que continua sendo um caractere dominante. A propósito, é bom frisar que, mesmo nos países considerados como primeiro mundo, até as pessoas da elite dominante têm praticado atrocidades, deixando a sociedade e a comunidade internacional perplexas, enquanto a onda de violência mostra-se sempre crescente. A chamada "tolerância zero", não é sinal de harmonia, deriva da existência de uma absoluta inseguridade. A violência comum, em muitos casos, normalmente ocorre em campo limitado, em áreas restritas, em ambiente fechado, em quaisquer espaços comuns comunitários, locais de reunião e festejos diversos com freqüência restrita ou pública, no ambiente familiar, etc; são exemplos: residências, escolas, restaurantes, bares, clubes, boates, quadras esportivas, etc. Enquanto violência, normalmente, as partes mantêm uma aproximação física, um certo contato ou conhecimento anterior, ou, qualquer outra forma de relacionamento, interagindo de algum modo, ou ainda pertencem a um mesmo grupo com certa identidade comportamental entre os envolvidos. Uma boa estratégia de prevenção é mapear a violência por área física, por qualidade e quantidade, estabelecendo os níveis e incidências das ações preventivas necessárias equivalentes. A polícia deve ter a consciência de que a violência é factível em qualquer lugar e a todo tempo.
O ato de violência também permite a ilação de que os praticantes ainda permanecem muito aquém da fronteira da sociabilidade e da civilidade de seu tempo, muito semelhante aos primitivos aborígines, desempenhando um papel presumivelmente distanciado das práticas humanas cultivadas na sua época, estando sempre em retrocesso, quase sem objetivos e sem idéia de futuro, incapazes de praticar um ato de afabilidade e de perdão, enquanto que desconhece a auto censura, não havendo interesse para encontrar uma via pacífica de liberação de seus traumas e das pressões como forma de altivez e sensatez. Ao contrário, os elementos dominados pela violência estão sempre se esforçando para descarregar toda a sua amarga carga contra as pessoas que lhes cercam e principalmente contra sua prole e outros familiares, em razão destes se encontrarem mais próximos e mostrarem-se mais submissos e ponderados, sendo indiferentes quanto à intensidade das agressões recebidas, pouco importando àqueles violentos, as danosas conseqüências de qualquer ordem. Como elementos inconseqüentes, os indivíduos violentos são capazes de praticar qualquer desatino radical. Tudo isto prediz a inexistente oportunidade social ao seu alcance para ingressar nos caminhos da educação como a única via da transformação, do desenvolvimento, da civilidade, da cidadania e do futuro, afinal de contas, o homem quando condicionado pela Educação é um ser mutável, sendo capaz de ser influenciado e de influenciar, quando algo de interessante consegue lhe tocar.
De um modo geral, a violência é o comportamento humano de caráter ativo ou não que se relaciona mais intimamente com a manifestação condicionada de cunho emocional que se rebela, negligencia, reage e denuncia um quadro de opressão e declínio da sociedade ou de um ou mais segmentos populares, levada a efeito de forma acéfala, individual ou coletiva, com ou sem palavras de ordem, silenciosa ou animada, quando praticada por elementos isolados estes representam o todo, com ação localizada e sedentária, normalmente sem cumplicidade de delinqüentes externos, rompendo com os padrões legais e éticos da família e do contexto comunitário, com uso da força física e/ou de armas, com expressão lesiva, atos agressivos e delituosos contra o público alvo, geralmente com insídias, praticados nas vias públicas ou em ambiente de uso privado, tirando ou não proveito material, medindo poder, conquistando e dominando espaços, locupletando-se materialmente e transmitindo uma mensagem de intimidação e pânico a todos que lhes cercam. Na violência, via de regra, não existe a previsão de alcançar um objetivo além do território e das circunstâncias que cercam seus agentes, exceto a difusão dessa sórdida mensagem para todo o universo, como se fosse mesmo um pedido de socorro, para que as autoridades despertem e possam decifrar. Normalmente tudo acontece entre os mesmos.
A criminalística moderna, segundo sua crítica, considera inconsistente e inaceitável a Caracterologia então defendida por Cesare Lombroso (1835 - 1909), criminologista e psiquiatra italiano, o qual relacionava as características físicas de um ser humano, sobretudo, faciais ou sua própria fisionomia, com o seu eventual comportamento criminal, como assim se pudesse concluir, sumariamente, pelo caráter de uma pessoa, a partir da sua formação craniana entre outras partes do corpo, isto é, os sinais da violência já estariam identificados na fisionomia do indivíduo, mesmo antes de cometê-la, cuja teoria, com sabor de racismo e preconceito social, consistia na criação de padrões para estigmatizar certas pessoas, inclusive, atingindo vultos da história. Aquele que apresentasse má formação craniana ou rosto fora de simetria, já tinha por certo uma sentença preconcebida, era um criminoso em potencial. Enquanto acatadas como verdadeiras, dispersando idéias preconceituosas, aquelas teorias causaram grandes constrangimentos e julgamentos precipitados, e, mesmo anacrônicas e rejeitadas pela ciência, elas ainda continuam sobrevivendo e que podem ser responsáveis pelas expressões como "mal encarado", "boa apresentação" entre outras que só servem para estigmatizar e deixar as pessoas desapontadas. Não se pode avaliar uma pessoa por aquilo que ainda não cometeu, apenas presumindo por seus traços fisionômicos. Essas teorias por serem inconsistentes caíram em descrédito. Nos dias de hoje, os sinais da violência resume-se como sendo uma demonstração exterior real do que se é, ou seja, como alguém foi capaz de agir ou reagir diante de situações adversas, que envolvia o indivíduo ou era do seu interesse, tornando qualquer fato de extrema dificuldade de resolução para os que atuam precipitadamente. Ao contrário das pseudoteorias lombrosianas e de outras teorias anteriores também cientificamente desacreditadas, e, em razão da excelsa valorização humana e dos modernos conceitos adotados pela criminologia, juridicamente, sinaliza-se uma nova conotação, pela qual só será possível se encontrar evidências de violência, quando estampados nas manifestações que existem de fato, efetivamente materializadas, devidamente caracterizadas conforme o direito, ilegais, ou sejam, nos gestos, atitudes, palavras e outras formas de conduta que se exteriorizam causando prejuízo a outrem, com diversificadas expressões peculiares a cada elemento ou grupo, imaginadas por eles talvez como uma forma de comunicação mais audível, atitudes como ações, omissões, movimentos paredistas radicais e outras reações pouco convencionais que se externam como linguagem, isoladas ou não, casuais ou organizadas, individuais ou coletivas, sempre comprometendo a ordem pública e que podem ao mesmo tempo confundir polícia, governo, poder e delinqüência.
O processo de violência pode ser o resultado da química entre os caracteres hereditários de violência comuns a todos, que, atuando em determinadas pessoas desprovidas de qualquer proteção por uma compensação social, interagem com outros valores não menos defasados e adquiridos do meio em que se desenvolveu e habita, possibilitando, eventualmente, a promoção de uma estupidez, fato que corrobora a defesa de que a teoria da criminalidade pela causa ambiental mostra-se dominante fato que ninguém pode desconhecer, sendo que a eclosão da violência torna-se fortalecida e mais factível pelo fraco desempenho do sistema estatal de apoio e de controle. Como decorrência, neste processo, geralmente são envolvidas pessoas aparentemente moderadas e de todas as faixas etárias, homens e mulheres, crianças, jovens e adultos, sofridas e desiludidas, desesperadas, quase sem esperança, à beira de um estado de plena necessidade, de um colapso, falimentar, tudo decorrente de uma pressão radical de ordem político-administrativo, sem a mínima reparação e sem estímulos planejados, sobretudo, quando o sistema é ineficiente, aético e conturbado pela corrupção, permitindo uma liberdade sem a menor fronteira, cujo fenômeno poderia se chamar de violência reacionária, face aos descasos. Em resumo, poderíamos atribuir a este processo preocupante, como sendo o resultado do desequilíbrio entre si dos fatores social, cultural e financeiro, sinceramente crônico. Normalmente, a violência reacionária que é uma forma de alerta, revela e leva a concluir pela existência de um estado de necessidade grave, a falta de oportunidade e de afirmação dos elementos de um segmento, a cisão do tecido social que os marginaliza, deprimindo, reprimindo ou libertando demais, que, por outro lado, mostra a carência e a ausência ou insuficiência dos chamados direitos da cidadania ou indicadores sociais, sempre tendo relacionamento direto com o estado de pobreza miserável irreversível desse estamento apesar das suas lutas, ressalvadas exceções, entretanto, o fenômeno da violência é sempre fortalecido pelo desencadeamento de uma linguagem própria que gera uma identidade preocupante, pela unicidade comportamental e por um momento emocional dissipado por todo o contingente em estado de exclusão ou entre aqueles com os ânimos exaltados ou junto aos que se tornam inocentes úteis. É bom que se saiba, que os excluídos ou outros em condições semelhantes estão sempre mais coesos, pois o sofrimento sempre uniu fortemente mais as pessoas, mostrando-se cúmplices equivalentes. Em síntese, exclusão e desencadeamento da violência, de alguma forma, tudo se relaciona diretamente com o meio e com a ausência do Estado como um todo. A fúria que é um sinal de incerteza passa a ser uma linguagem, um grito, um instrumento, uma arma, uma defesa, a sobrevivência, cujos resultados comprometem a segurança, mas não se relaciona com a idoneidade policial, ainda que deponha contra as instituições, públicas ou privadas. Quando as ações são praticadas por grupos, ainda que aparentemente anônimos, via de regra, seus componentes têm origem facilmente detectável, de pronta identificação e com rápida localização, portanto tudo leva logo ao pleno conhecimento, fazendo concluir que, praticamente, seus agentes se expõem às investigações e assumem essa possibilidade, pois são eles que mais desejam solução para seus problemas imediatos, como tal, não se camuflam com falsas aparências. Esse procedimento diverge dos atos que produzem insegurança, onde seus autores procuram se manter no anonimato e os fazem com estratagemas, a exemplo da prática do vandalismo deliberado entre outros crimes igualmente perniciosos e insidiosos, cujos autores empreendem fuga, inclusive, todo desempenho obedece a um plano previamente planejado ou articulado mediante plano mental, o que normalmente não ocorre numa violência natural, que tem prática mais moderada e com rara ocorrência de disfarce.
A violência quando excessivamente freqüente em uma determinada pessoa ou num grupo considerado poderá expressar que os espaços reservados à cultura e existentes em cada indivíduo, ainda não foram devidamente preenchidos com fatos adquiridos da civilização que tanto caracteriza o homem atual, ainda predominando, uma forte conservação de caracteres do homem animal, com cultura de civilização decadente, sem vontade própria de mutação, cultivando apenas o que adquiriu como herança genética, refletindo traços hereditários primários, isto é, conservando a identidade daqueles atributos legados da ancestralidade, e como se conservam dominantes carecem de tempo e tratos culturais técnicos adequados e muita força de vontade para que ocorra a mutação. Muitos desses fatores que tornam uma transformação mais refratária são adquiridos, absorvidos e inoculados ao longo de várias gerações, portanto, mostram-se geneticamente resistentes às mudanças, exigindo novos parâmetros, paradigmas saudáveis e exemplares, evidentemente, prevalecendo os fortes matizes do ambiente em que cada elemento foi criado, o grau de fraternidade familiar e a prioridade que os governantes estabelecem como políticas para o engrandecimento da pessoa humana como ser social. À medida que alguém absorve integralmente uma prática urbana e se esforça para conquistá-la, praticar e manter este conhecimento como atividade útil, logo vão sendo preenchidos aqueles vazios ou espaços reservados à cultura, pela inserção de ações oportunas, que em alguns indivíduos as lacunas até então eram ocupadas por ocorrências naturais, até decorrentes do atavismo que é o reaparecimento de um caractere ancestral, mas que se manteve adormecido e desconhecido por gerações imediatamente anteriores, geneticamente explicável. Reprodução, alimentação e autodefesa imediata são funções naturais para a sobrevivência de qualquer espécie animal como assim o ser humano se inclui, e, infelizmente, só nesse estágio ainda existem e vagam pessoas e populações por todo o globo terrestre; isto é o que caracteriza o homem sapiens, como ressurreição de um longínquo antepassado cultural, com pouca evolução humana, fisiológica e mental, os quais ainda pretendem apenas coexistir no presente, como se quisessem conservar e desfrutar de um desenvolvimento de linha primitiva, sem sociedade e sem lei. Se ao longo dos tempos não forem inoculadas outras atividades, qualquer elemento vai apenas cultivando aquelas funções instintivas, de fácil imitação, inatas, congênitas, isto é, praticando pouca cousa adquirida, senão copiando fatos muito elementares e defasados. No atual estágio da civilização caracterizada pelas transformações tecnológicas e científicas e, pela rapidez das comunicações, todo tipo de comportamento extravagante desse ou daquele grupo talvez, hoje, possa ser reflexo mais de uma violência institucional do que uma variante da violência essencialmente humana herdada; não se pode entender, a essas alturas, a razão de qualquer sistema político-administrativo permitir que existam segmentos sociais com hábitos e costumes quase rudimentares e com desenvolvimento imperfeito, estacionados no seu estado ainda quase ao natural, como é o caso do percentual de pessoas analfabetas existente para a vergonha dos governos, como se o mundo estivesse parado no primitivismo da humanidade, sem interesse de reagir. Hoje, qualquer ato de violência faz levar ao tempo medieval, portanto, contrastando com o atual desenvolvimento humano, mesmo a despeito das fracas iniciativas públicas.
A violência natural isolada e com outras classificações, desde que de natureza leve e com rara incidência, pouco interferem no cotidiano da população como um todo, senão, entre as famílias das partes envolvidas, e, no máximo na área circunscrita aos fatos. Digamos, se ocorre um fratricídio, matricídio, parricídio ou cousa assim, isto não repercute na tranqüilidade da população, senão, no campo moral, mesmo que afete a ordem e a lei, merecendo a atenção do Estado; se alguém comete um isolado homicídio ou outro delito contra seu cônjuge, isto também não interfere na qualidade de vida das pessoas outras, mesmo entre aqueles que também se enquadrem como cônjuges; se dois elementos discutem e se atritam, também não é motivo de preocupação coletiva, quanto ao sossego público. Normalmente, a violência em si é um fato isolado que já aconteceu e que não estabelece qualquer influência ou ligação com o desencadeamento de futuras ocorrências similares, e, mesmo que ocorram semelhantes, não guardam relacionamento uma com as outras, são sempre questões pessoais, particulares ou próprias de certos estamentos, mesmo que quaisquer deles devam receber o tratamento adequado pelos poderes públicos, inclusive, de prevenção e penal.
Se a violência pode ser admitida por muitos como uma forma de expressão humana pela incerteza de futuro ou um reflexo da ausência de indicadores sociais, no entanto, o que dizer das fraudes, do estupro, do seqüestro, da pistolagem, do assalto, do roubo a um banco ou qualquer delito hediondo, organizado ou planejado para locupletar seus autores? Com certeza estas ilicitudes apenas são exclusivas de poucos, o que leva a crer e sem deixar dúvidas que não se trata de uma violência natural e que também não se pode fazer nenhum relacionamento à conduta humana primitiva, mais sim, caracteriza um outro comportamento que transcende ao legado humano, ao hereditarismo direto ou ao atavismo, no caso, mesmo que seja patológico, é possível se tratar do fenômeno da insegurança pública, pela ausência de ações policiais, que compete aos órgãos de segurança a pronta e necessária reparação, preferentemente, a prevenção.
A insegurança, que não deixa de derivar dos diversos tipos de violência humana, herdada ou adquirida, esta decorre do conjunto de atos e violações diversas, com ou sem causa social a reclamar por seus agentes, portanto, independente ou não da exclusão social, o mecanismo que move suas execuções é pura delinqüência dolosa, acentuando elevado grau de arbitrariedade, pela ausência de objetivos de vida e falta de compromisso, inexistência de planos para o futuro, múltiplos desrespeitos às leis, pela ganância, pela fraude, pelo oportunismo ou ocasião especial súbita que surge e sabe tirar proveito criminoso, pela ambição, pela astúcia, pelo anonimato, pelo espírito aventureiro inconseqüente, pelo estilo nômade, pela cumplicidade criminosa, pela impunidade estabelecida e, sobretudo, motivada pela função policial aparente. A prática de um ato que possa caracterizar uma insegurança é aquele que prediz a possibilidade do desencadeamento de outros semelhantes ou relacionados. Os exemplos mais clássicos e de grande repercussão são os chamados "crimes em série" e aqueles denominados de "chacinas". Alguns crimes, mesmo que a princípio praticados isoladamente, induzem a um estado de intranqüilidade e insegurança pública, por exemplo, os assaltos, os delitos praticados pelos justiceiros, os latrocínios, o terror, entre muitos outros.
Os atos que geram insegurança provocada por grupos ou elementos criminosos não primários que também podem ter suas raízes numa histórica violência herdada, ainda que estivesse adormecida nas pessoas ascendentes próximas, independente do grau de favorecimento econômico, cujo legado se transmite às gerações, mesmo que seja reaparecendo apenas em um ou outro descendente distante em razão do atavismo, no entanto, suas atividades criminosas sempre estão muito mais intimamente relacionadas com o distanciamento dos órgãos de segurança do contexto da prevenção à delinqüência, divorciados mesmos de suas funções preventivas objetivas, negligenciando quanto aos acompanhamentos das ações pré-delituosas que neste estágio ainda são de poucas proporções e de fácil controle. Essas violências sempre são produzidas de forma deliberada pelos delinqüentes, com dolo, sem barreiras e sem censura, e as fazem de maneira generalizada e constante, sendo mais ou menos intensa quanto maior ou menor for o poder de articulação da polícia, seu desempenho ao desvendar os fatos em tempo hábil e sempre mais abreviado, seu conceito na sociedade, o grau de condescendência em relação aos crimes e aos criminosos, o domínio das informações precisas e procedentes e o poder de mobilização de seus arsenais bélicos operacionais, inclusive, os recursos humanos e o capital intelectual, estes, como armas essenciais e principais desde o combate à "vitória" necessária.
A insegurança é um comportamento anômalo levado a efeito contra segmentos da sociedade sendo caracterizado por uma sucessão de práticas voluntárias e generalizadas de delitos, sempre consumadas por um elemento ou mais indivíduos ou mesmo por bandos e seus seguidores que dissipam suas atrocidades contra o patrimônio material, a honra ou a integridade física ou moral das pessoas, configurando-se pela existência de um objetivo imediato, com dolo, organizado ou apenas planejamento mental, inconseqüente, frio e calculista, normalmente, com boa dose de agressividade, com ou sem conexão com alguma cadeia criminosa, persistente, global, sem trégua, com cumplicidade e corrupção, e, com a benevolência daqueles que, à distância, dão suporte ou alimentam os fatos, onde todos objetivam locupletar-se a qualquer custo, a despeito de qualquer resultado ou conseqüências, inclusive, prevendo a possibilidade de produzir vítimas a esmo ou seletivas, sobretudo, vitimar-se, até de ser capturado em flagrante ou resistir à repressão policial incomedidamente. A insegurança se caracteriza pela sensação ou efetiva incerteza que domina o íntimo das pessoas de uma população, em razão de uma sucessão de atos delituosos generalizados ou de uma mesma espécie e com muita repercussão ou de crimes em série, diante de uma tímida ação policial, sedimentando o medo e o pavor, deixando a sociedade bastante intranqüila e, conseqüentemente, insegura. Via de regra, a insegurança, que é por todos abominável, atinge contingentes populacionais consideráveis, ante as inócuas reações da polícia; por conseguinte, a população sempre relaciona os fatos com a possibilidade da morosidade policial, fraco desempenho governamental, emergindo interpretações que depõem contra a eficiência das instituições de segurança pública, discutindo suas substituições, desacreditando-as, propugnando por medidas radicais, policiais e penais, portanto, exigindo uma posição eficiente dos órgãos de prevenção e repressão para urgente inversão da situação.
O ato de insegurança, no mínimo é premeditado, enquanto a violência em si é instintiva, às vezes, putativa, que se encerra pela preterintencionalidade, podendo ser um reflexo condicionado, uma defesa natural do indivíduo ou simplesmente uma reação àquilo que lhe oprime ou que lhe massacra, ferindo valores morais que o impulsionam, quando muito, a violência natural não ultrapassa à figura legal do "estado de necessidade" ou da "legítima defesa". Como premeditada e como insegurança, alguém sai para a prática desse ou daquele delito, a exemplo quando um bandido imagina um assalto e ruma à sua execução, seleciona sua vítima, seleciona os melhores locais, a rota de fuga, seus apoios, as armas necessárias e tantos outros meios e diligências que entram na composição de um crime quase que perfeito, ensejando uma crise e uma preocupação. Quem pratica um delito assim, sempre imagina estar fazendo um crime perfeito; isto é impossível, pois tudo deixa rastro, esquecendo que a Polícia sabe caminhar por ele no sentido inverso ainda que melancolicamente, já que não soube se antecipar aos fatos.
Mesmo que os atos de violência passem pelas características genéticas da pessoa humana e que a ação possa representar uma denúncia ou um indicativo das condições sociais, em qualquer caso, se não houver uma oportuna prevenção, carece de uma pronta repressão e responsabilização dos autores, antes que um pequeno delito se transforme num estado de insegurança, implicando na adoção de atitudes policiais compulsórias eficientes, eficazes e constantes; nada pode ficar impune. Enquanto isso, o infanticídio, o aborto, o adultério, o crime passional, o estupro conjugal, o castigo físico aos filhos, o embate entre familiares e tantos outros atos de comportamento similar, mas circunscrito, ainda que possam causar um choque, uma perplexidade e uma desaprovação geral, não são suficientes para causar um clima de insegurança junto à população, ao contrário de um único assalto, por menores que tenham sido suas proporções, logo toda população sente-se ameaçada, atingida, insegura. Enquanto que um ato de violência isolada pode causar dano a uma pessoa ou um a segmento específico, aquele que produz insegurança, mesmo que a ação tenha atingido apenas uma única pessoa, logo causa repercussão direta contra o público, ou seja, abala a segurança pública, até então incólume.
A violência isolada, como atitude humana e antijurídica, esbarra e se encerra exclusivamente entre as pessoas de uma mesma concepção e afinidades ou nos limites das fronteiras do território de seu ou seus agentes, que, mesmo assim, deve ser estudada, analisada, prevenida e, se for o caso, combatida. A insegurança se instala, quando essa violência transcende aos limites destas fronteiras, evolui, amplia-se invadindo território não enquadrado nos domínios dos agentes ou envolve pessoas e circunstâncias diversas daqueles, preocupando a todos. Podemos aqui, fazer uma comparação prática para exemplificar o exercício de uma violência em um anfiteatro e a possível instalação de uma insegurança real, mesmo em ambiente tido como de certa esportividade e tradicionalismo.Tomamos um possível "esporte" como amostragem, em que praticamente um só esportista vai competir como centro das atrações. Trata-se de uma arena qualquer, onde se desenvolve um espetáculo medieval sangrento que é um sacrifício quase macabro, para a satisfação de um grande público, cuja diversão é chamada de tourada. Ali, logo se coloca um touro devidamente furioso pelo tratamento que lhe oferecem para condicioná-lo à luta, pelo sofrimento cruel a que se submeteu nos bastidores da arena antes de entrar em cena e pela suas qualidades genéticas conservadas para esta triste disputa. À sua frente, um homem chamado de toureiro que já o esperava e envolto em uma justa e elegante indumentária colorida e reluzente, este, com formação e treinamento ao longo dos tempos e até por linhas de herança, sempre aplaudido, apresenta movimentos estudados e teatrais que impressionam aquela platéia ávida por uma sessão de tortura. O animal que logo avança enfurecido pelo sofrimento iminente, já em desvantagem, busca seu adversário que se safa. Prontamente, inicia-se uma duvidosa batalha e ali são desenvolvidas lutas desiguais, nas quais o touro não tem opção, o toureiro se disfarça ao lado do seu manto de defesa e se esforça pelo entusiasmo da torcida. Enfurecido, o animal avança e logo recebe uma estocada. Em cada estocada no corpo do animal são encravadas farpas, enquanto toda a platéia se esforça em aplaudir o herói da tortura, que pode culminar com a morte do animal para o deleite de muitos que pagaram para assistir um ato de crueldade extrema, até um prazer sádico, que, conforme a tradição do lugar, o sinistro divertimento é finalizado com a chegada do matador, cuja platéia delira com a matança do touro. A violência sangrenta chega ao fim. Aqui termina o possível espetáculo deles, que, para nós, podemos chamar aquela prática esportiva de "violência coletiva" ou simplesmente violência. Naquele terreno, epicentro do tal espetáculo vergonhoso, em local limitado e protegido por belos alambrados, todas as atitudes ali praticadas são, essencialmente e sem discussão, atos de pura violência. Enquanto a luta de tortura permanece no espaço que lhe é reservado, a platéia se deleita e o clima de satisfação é mesmo contagiante. Em casos, não muitos raros, o touro bastante provocado e impulsionado pelas dores das estocadas e até em busca de um toureiro que salta e se evade como defesa covarde fugindo da arena, o animal também salta a arena e corre a esmo por onde o espaço permitir, enquanto alguns procuram abatê-lo impiedosamente. Os fanáticos ou aficionados sentindo-se inseguros, logo entram em pânico, alvoroçam-se, clamam por proteção e entram em desespero. Todos buscam uma saída mais segura. Gera um grande conflito. A multidão estoura, entra em pânico. Esta visível ansiedade coletiva pode ser admitida como sendo a caracterização da insegurança. Note que a violência no centro da arena se desenvolvia e evoluía sem causar constrangimento aos que assistiam, mesmo que estivesse sendo insuportável para o touro e até para o intrépido toureiro. Até aí era uma violência qualquer que, mesmo inaceitável, não causava intranqüilidade pública. Agora, quando o animal rompe os limites da praça de guerra e salta na direção das arquibancadas ou cousa assim, gera um clamor, instala-se uma generalizada insegurança em todos. Era como um fato violento estivesse saindo de seu nicho e do seu território, para vitimar qualquer um, a qualquer tempo e lugar, preocupando toda uma população. Configura-se aquilo que podemos chamá-lo de in-segurança. Como se nota, iniciada a insegurança, os atos de violência não se acabam, pelo contrário, ampliam-se, em qualidade e quantidade, independente da sua origem, sem uma perspectiva de iminente controle. Na verdade, essa tauromaquia nunca foi esporte e nem arte, não é tradição e nem cultura como muitos propalam, pode até ser um culto macabro de sabor medieval, cuja violência teatral remete aos rituais de sacrifício da antiguidade, outrora, igualmente condenável. A tourada não é deleite, não é colírio, não é espetáculo, não faz bem, é desnecessária, em resumo, trata-se de uma tortura, uma covardia, uma atrocidade, portanto, uma violência para os violentos, estimulando atrocidades.
Por fim, insegurança é todo ato ou tudo aquilo que aconteceu em série ou de forma análoga e que pode ocorrer novamente, a qualquer tempo e em qualquer lugar, contra quem quer que seja ou por qualidade do indivíduo, causando danos pessoais e/ou materiais. É aquilo que deixa a população temerosa, intranqüila, portanto, insegura. É o caso de assalto aos coletivos urbanos ou rodoviários, cujas ações deixam os usuários destes transportes com medo de utilizarem para suas viagens; são os assaltos nos cruzamentos que fazem com que os motoristas fechem os vidros dos seus carros e não queiram ficar parados aguardando a mudança do semáforo; são as armas contrabandeadas e as balas perdidas; é a lei do silêncio que obriga a uma comunidade a se manter calada e quase cega; é o fechamento do comércio em obediência ao chamado poder paralelo; são os fatos delinqüentes que forçam aos moradores a permanecer trancados mais em suas residências e cerrem suas portas e janelas com grades de ferro e instalem sistemas eletrônicos. Em fim, é tudo aquilo que o povo com medo clama por segurança. Geralmente os atos delinqüentes que promovem a insegurança pública, instalando-se em cada pessoa, seus autores buscam locupletar-se materialmente, sobretudo, pelo lado financeiro, político ou ideológico, e, em algumas regiões, com cunho religioso, enquanto os objetivos os tornam inconseqüentes ao extremo, sendo, em qualquer caso, capazes de causar a mais fria atrocidade contra suas vítimas, principalmente, quando ocorrem reações ou imaginam terem sido identificados; quando não financeiras, suas intenções buscam uma insatisfação bestial de cunho íntimo ou de poder, como é o caso de estupro ou quando algum elemento com ressentimento interno passe a molestar algum tipo, gênero ou qualidade de pessoa em razão de algum trauma, preconceito ou desvio, como as discriminações raciais, regionais, religiosas ou quanto ao sexo, entre outros constrangimentos que é comum chegar à prática de agressões morais e físicas com qualquer dimensão, com alvos seletivos ou escolha aleatória.
Nos casos de violência pura ou natural, normalmente, os fatos não são movidos por interesses materiais e financeiros, exceto quando se estabelece o estado de necessidade em um elemento ou num grupo, portanto, tudo pode ser encerrado como violência isolada, ao acaso, mesmo que não se possa ignorá-la; por exemplo, se alguém revida drasticamente uma agressão verbal, fato que ocorre rotineiramente em todos os lugares do mundo, no entanto não constitui grandes preocupações junto à população que possa intranqüilizar os habitantes de uma cidade ou de uma região de qualquer porte, salvo se o comportamento passe a se generalizar, envolvendo vítimas indiferentemente da qualidade da pessoa.
Ainda existe um tipo de violência que não se externa ostensivamente, logo, surda, mas que afeta a todos ao mesmo tempo, é um tipo de violência silenciosa; ela se caracteriza por ações sórdidas e lesivas, levadas a efeito nos bastidores, que avançam numa escala de valores assimétricos, onde a prática se contrapõe às suas próprias teorias, que, além de ferir a lei penal, também abala o campo da ética e o plano moral, com graves conseqüências para o espaço estrutural e social, ao mesmo tempo, depondo contra o Estado e outras administrações igualmente passivas e ineficientes. Essas atitudes ilícitas vão desde uma fraude a um ato de grande corrupção, contribuindo para o avanço do descontentamento da população e concorrendo para a decadência da beleza humana, com implicações de toda ordem, afetando decisivamente a estrutura familiar, social e política de um povo, por conseqüência, a segurança pública, evidenciando toda sorte de violência e insegurança generalizada. Urge que as instituições de segurança pública passem a incluir nas suas estruturas orgânicas, profissionais especializados em estudos da violência humana e as formas de neutralizá-la com um mínimo de esforço policial, antes que ela decomponha a ordem jurídica de uma comunidade ou de uma sociedade.
São algumas variáveis da violência sob a nossa ótica:
a) Violência natural ou pura: uma característica comum a todas as pessoas, aquela herdada, transmitida, biológica, que geralmente relacionam-se com a sobrevivência e a competição, a autodefesa, atos de represália, linchamento, comportamento selvagem e animalesco, ações grotescas, etc, Tudo poderá ocorrer instintivamente;
b) Violência reacionária: reação às pressões sofridas; geralmente, caracteriza-se por movimentos populares, mormente, envolvendo grupos de pessoas descontentes, que tomam uma atitude extrema e descontrolada.

c) Violência estrutural: pública e privada, marginalizando o indivíduo ou as pessoas, que também poderia ser chamada como "violência do poder";
d) Violência cultural: (gera insegurança): incorporada, adquirida, imitação criminosa, convivência delituosa, prevaricação, condescendência criminosa;
e) violência profissional: (gera insegurança): surge naquele delinqüente que tem o crime como meio de vida, fazendo tudo organizado, planejado, mentalizado, e consumando seus intentos, etc;
f) violência patológica ou inimputável - quando praticada por elemento que se encontra acometido de grave doença mental, que exige medida de segurança e o torna inimputável ou quando seus executores não têm ou não se encontram com o devido entendimento das conseqüências do crime, tudo com definição nos termos da lei;
g) violência policial: aquela causada por militares, policiais ou forças afins, ou ainda, por quem esteja imbuído do poder de polícia, praticando ou não em serviço, gerando repugnância, descrédito e chocando a população;
h) violência legal: praticada em razão da lei ou sua equivocada interpretação, pelo emprego irregular de algemas, restrição de liberdade fora das prescrições penais, camuflada pelo abuso de poder, pena de morte, ações dos atiradores de elite, interrogatórios radicais, guerras entre os países, repressão ideológica ou política, "declaração de guerra ao crime", seqüestro de bens, ações de reintegração de posse, legítima defesa e outros excludentes da criminalidade, etc;
i) Violência institucionalizada: talvez possa ser caracterizada pela ausência dos poderes do Estado, pela justiça demorada, cara e "cega"; pela falta de preventibilidade policial, pelo desemprego crônico, ausência de oportunidade, preconceito social, racista, religioso, sexista, etc;
j) violência da competição ou esportiva: normalmente desenvolvida no contexto das atividades esportivas, invocando a busca da competição, praticada à vista das platéias e de todos os espectadores e do Estado, sempre concebida e acatada com muita passividade, prevaricação, cumplicidade e impunidade.
Manoel Damasceno
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Plagio
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PostPosted: Tue Jun 06, 2006 4:39 pm    Post subject: Reply with quote

Beato Salluh is right.
This article was copied from
an artcle by Manoel Damasceno. The sad part
is that it was published in Cape Verde. Mr.
Napoliao Andrade needs to know that plagiarism
is a crime in U.S. Or doesnt he know ?
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Guest






PostPosted: Tue Jun 06, 2006 4:45 pm    Post subject: Reply with quote

feedback from Manu salah wrote:
We live in the USA it needs to be written in English, the crime is being committed in the USA not Portugal or a Portuguess speaking country. Please lets get with it.
Thank you.
Manu salah

You don't tell us what language we should use! If you don't know Portuguese it isn't our problem
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Martin Luther King Jr.
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PostPosted: Tue Jun 06, 2006 5:10 pm    Post subject: Reply with quote

We must learn to live together as brothers or perish together as fools.

Martin Luther King Jr.
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Guest






PostPosted: Wed Jun 07, 2006 1:51 pm    Post subject: Reply with quote

Plagio wrote:
Beato Salluh is right.
This article was copied from
an artcle by Manoel Damasceno. The sad part
is that it was published in Cape Verde. Mr.
Napoliao Andrade needs to know that plagiarism
is a crime in U.S. Or doesnt he know ?


I HAD TO LAUGH i AM SORRY.

I Thank you for your kindeness and truth.
Beato Salluh (Manu Salah) (Selah)

Read new entry Enlightenment de Azijahi
in the contribution every one.
We also have our conductors Brothers who are Ra & Ja.
The Mendes Brother's listen to the new sound & Tone.
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Mr. Cool Breze
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PostPosted: Wed Jun 07, 2006 2:12 pm    Post subject: English or Portuguese Hmmmm? Reply with quote

Anonymous wrote:
feedback from Manu salah wrote:
We live in the USA it needs to be written in English, the crime is being committed in the USA not Portugal or a Portuguess speaking country. Please lets get with it.
Thank you.
Manu salah

You don't tell us what language we should use! If you don't know Portuguese it isn't our problem


Well that is a good idea. I don't think that is what President Bush means.
English the language official in the USA.
Portuguses for the Portuguese people,English for the English,French for France,Kriolu for the Caboverdianos, Fulani for the Pul,Swahilli for East Africa and so on. But id we intend to have diplomacy and understanding
our communication needs to make some adjustment to bring about this unity of purpose of unity in our struggle for peace. But again my friend if you are in the USA and you say you are American and we have many different kinds of Americans in all nationalities. We respect your right to speak what ever language you so desire. You may continue and we will see what the people of Cabo Verde Global Nation will say about this.

MaNyah Povo Nhos ubee dreighto. Pa Camino certo.

E spirito Sr.Dr Amilcar Cabral

Jorgu de N'Lobo e Falsu.
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DrX
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PostPosted: Wed Jun 07, 2006 2:34 pm    Post subject: Re: urgente@brasilseguranca.com.br Reply with quote

Beato Sallu wrote:
Violência & In-segurança (you can get it at a Brazilian website - brasilseguransa.com)
"Abolir a violência humana é uma utopia que nunca se concretizará em nenhum futuro."
Esta página apresentada aos leitores não tem a ousadia e nem a intenção de analisar, mesmo superficialmente, a complexidade do fenômeno da violência humana e nem criar conceitos, pois isto exigiria um necessário concerto de conhecimentos com embasamento científico, visto que o comportamento humano, ainda continua sendo um universo quase indecifrável. Aqui, apenas pretendemos despertar para a existência de dois fenômenos intrinsecamente relacionados, mas, para melhor entendimento, torna-se importante conhecer a duração de um ato ilegal enquanto só violência e, sem perder suas características originais, quando esta passa a caracterizar um estado de insegurança pública. Compreendendo suas reais diferenças é mais fácil concluir por uma adequada resolução, portanto, como colaboração e a nosso modo, numa visão exclusivamente policial, para efeito de prevenção da violência e da promoção da segurança pública, analisaremos a distinção entre um ato de pura violência e quando esta se transforma em insegurança, com suas graves repercussões para a população.
Intangível, porém, perceptível. A violência humana que tem caráter hereditário, não se anula, mas se minimiza, estando sempre latente no homem e na mulher. Mesmo assim, a violência não se mostra como uma atividade plenamente espontânea, carece de outro estímulo para eclodir, ainda que esteja em potencial. Como ela está sempre orbitando às mentes, é possível aflorar quando são alinhados os ingredientes da criminalidade, principalmente, com o aparecimento de um agente ativo de uma ação delituosa. Se não houver autodomínio, ou se inibe por uma forma de prevenção, ou, ela logo se manifesta, exigindo reparação eficaz. Se o controle da violência é necessário, a promoção da segurança é compulsória. Não é a violência que cresce, é a atividade de segurança que diminui. A violência está nas pessoas, mas, a eclosão depende do ambiente, das circunstâncias e da eficiência dos mecanismos de controle.
Violência ou Insegurança? Genericamente, as duas palavras violência e insegurança têm o mesmo entendimento para significar desmandos que afetam as ordens jurídica e social da população. Os dois vocábulos são empregados indistintamente para designar o descaso para com a segurança do cidadão, física, moral e social. Ainda que não sejam sinônimos perfeitos, os dois termos exprimem e expressam a mesma preocupação e provocam os mesmos desgastes, igualmente, afetando a todos. Uma ou outra realidade provoca males e pavor nas pessoas, consumindo-as, deixando marcas indeléveis e irreversíveis, destruindo sonhos, causando medo e horror, retrocedendo. A diferença é que, no sentido estrito, a Violência se caracteriza por práticas anti-sociais restritas entre os mesmos agentes ou dentro de um mesmo espaço cultural, enquanto a Insegurança, que é a extensão da violência ou uma seqüência desses atos, configura-se quando estas ações ultrapassam as pessoas dos executores e as fronteiras dos seus territórios ou as fazem de forma organizada, deliberada, causando intranqüilidade pública. Enfim, violência é a prática restrita dos atos, enquanto a insegurança é a generalização dessas ações. Exemplificando: uma desordem numa praça de esporte envolvendo os possíveis atletas é uma violência e uma atitude ilegal, enquanto que a insegurança é quando as ações delinqüentes saem da quadra e atingem a platéia que é a amostragem da população, portanto, preocupando a todos.
Na prática, é fácil estabelecer a diferença entre violência e insegurança. A princípio é necessário que se identifique a manifestação de uma violência real praticada por um determinado indivíduo ou segmento, que, por si só, já caracteriza o comportamento anômalo e ilegal, depois, verificar a hipótese de que a seqüência desses atos se estendeu ou possa se estender noutras direções e contra outras pessoas, logo, configura-se a existência de uma insegurança. Não se pode falar em insegurança, quando não se conhece o estágio e a qualidade da violência praticada. Ao nosso ver, em algumas graves ocorrências, a simples prática isolada de certos delitos já prediz a existência da iminente insegurança, a exemplo de todos os crimes organizados, os de formação de quadrilha e os crimes em série entre muitos, tais como tráfico de drogas e armas, pistolagem e tantos outros congêneres, pois qualquer pessoa pode ser alvo desses criminosos abjetos.
A violência, como uma das características humanas, não é provável que se possa erradicar, até porque ao longo dos tempos ela tem caminhado com as diversas civilizações sem que ninguém tenha interrompido o curso deste fenômeno também humano, no entanto é necessário que se mantenha sempre sob controle, a níveis aceitáveis. Abolir a violência humana é uma utopia que nunca se concretizará em nenhum futuro. Nem mesmo a educação nos bancos escolares por seguidos séculos vem se mostrando eficiente para tornar essa característica recessiva, pois ela é inerente à pessoa humana. Em qualquer estágio da evolução social, ela tem demonstrado que continua sendo um caractere dominante. A propósito, é bom frisar que, mesmo nos países considerados como primeiro mundo, até as pessoas da elite dominante têm praticado atrocidades, deixando a sociedade e a comunidade internacional perplexas, enquanto a onda de violência mostra-se sempre crescente. A chamada "tolerância zero", não é sinal de harmonia, deriva da existência de uma absoluta inseguridade. A violência comum, em muitos casos, normalmente ocorre em campo limitado, em áreas restritas, em ambiente fechado, em quaisquer espaços comuns comunitários, locais de reunião e festejos diversos com freqüência restrita ou pública, no ambiente familiar, etc; são exemplos: residências, escolas, restaurantes, bares, clubes, boates, quadras esportivas, etc. Enquanto violência, normalmente, as partes mantêm uma aproximação física, um certo contato ou conhecimento anterior, ou, qualquer outra forma de relacionamento, interagindo de algum modo, ou ainda pertencem a um mesmo grupo com certa identidade comportamental entre os envolvidos. Uma boa estratégia de prevenção é mapear a violência por área física, por qualidade e quantidade, estabelecendo os níveis e incidências das ações preventivas necessárias equivalentes. A polícia deve ter a consciência de que a violência é factível em qualquer lugar e a todo tempo.
O ato de violência também permite a ilação de que os praticantes ainda permanecem muito aquém da fronteira da sociabilidade e da civilidade de seu tempo, muito semelhante aos primitivos aborígines, desempenhando um papel presumivelmente distanciado das práticas humanas cultivadas na sua época, estando sempre em retrocesso, quase sem objetivos e sem idéia de futuro, incapazes de praticar um ato de afabilidade e de perdão, enquanto que desconhece a auto censura, não havendo interesse para encontrar uma via pacífica de liberação de seus traumas e das pressões como forma de altivez e sensatez. Ao contrário, os elementos dominados pela violência estão sempre se esforçando para descarregar toda a sua amarga carga contra as pessoas que lhes cercam e principalmente contra sua prole e outros familiares, em razão destes se encontrarem mais próximos e mostrarem-se mais submissos e ponderados, sendo indiferentes quanto à intensidade das agressões recebidas, pouco importando àqueles violentos, as danosas conseqüências de qualquer ordem. Como elementos inconseqüentes, os indivíduos violentos são capazes de praticar qualquer desatino radical. Tudo isto prediz a inexistente oportunidade social ao seu alcance para ingressar nos caminhos da educação como a única via da transformação, do desenvolvimento, da civilidade, da cidadania e do futuro, afinal de contas, o homem quando condicionado pela Educação é um ser mutável, sendo capaz de ser influenciado e de influenciar, quando algo de interessante consegue lhe tocar.
De um modo geral, a violência é o comportamento humano de caráter ativo ou não que se relaciona mais intimamente com a manifestação condicionada de cunho emocional que se rebela, negligencia, reage e denuncia um quadro de opressão e declínio da sociedade ou de um ou mais segmentos populares, levada a efeito de forma acéfala, individual ou coletiva, com ou sem palavras de ordem, silenciosa ou animada, quando praticada por elementos isolados estes representam o todo, com ação localizada e sedentária, normalmente sem cumplicidade de delinqüentes externos, rompendo com os padrões legais e éticos da família e do contexto comunitário, com uso da força física e/ou de armas, com expressão lesiva, atos agressivos e delituosos contra o público alvo, geralmente com insídias, praticados nas vias públicas ou em ambiente de uso privado, tirando ou não proveito material, medindo poder, conquistando e dominando espaços, locupletando-se materialmente e transmitindo uma mensagem de intimidação e pânico a todos que lhes cercam. Na violência, via de regra, não existe a previsão de alcançar um objetivo além do território e das circunstâncias que cercam seus agentes, exceto a difusão dessa sórdida mensagem para todo o universo, como se fosse mesmo um pedido de socorro, para que as autoridades despertem e possam decifrar. Normalmente tudo acontece entre os mesmos.
A criminalística moderna, segundo sua crítica, considera inconsistente e inaceitável a Caracterologia então defendida por Cesare Lombroso (1835 - 1909), criminologista e psiquiatra italiano, o qual relacionava as características físicas de um ser humano, sobretudo, faciais ou sua própria fisionomia, com o seu eventual comportamento criminal, como assim se pudesse concluir, sumariamente, pelo caráter de uma pessoa, a partir da sua formação craniana entre outras partes do corpo, isto é, os sinais da violência já estariam identificados na fisionomia do indivíduo, mesmo antes de cometê-la, cuja teoria, com sabor de racismo e preconceito social, consistia na criação de padrões para estigmatizar certas pessoas, inclusive, atingindo vultos da história. Aquele que apresentasse má formação craniana ou rosto fora de simetria, já tinha por certo uma sentença preconcebida, era um criminoso em potencial. Enquanto acatadas como verdadeiras, dispersando idéias preconceituosas, aquelas teorias causaram grandes constrangimentos e julgamentos precipitados, e, mesmo anacrônicas e rejeitadas pela ciência, elas ainda continuam sobrevivendo e que podem ser responsáveis pelas expressões como "mal encarado", "boa apresentação" entre outras que só servem para estigmatizar e deixar as pessoas desapontadas. Não se pode avaliar uma pessoa por aquilo que ainda não cometeu, apenas presumindo por seus traços fisionômicos. Essas teorias por serem inconsistentes caíram em descrédito. Nos dias de hoje, os sinais da violência resume-se como sendo uma demonstração exterior real do que se é, ou seja, como alguém foi capaz de agir ou reagir diante de situações adversas, que envolvia o indivíduo ou era do seu interesse, tornando qualquer fato de extrema dificuldade de resolução para os que atuam precipitadamente. Ao contrário das pseudoteorias lombrosianas e de outras teorias anteriores também cientificamente desacreditadas, e, em razão da excelsa valorização humana e dos modernos conceitos adotados pela criminologia, juridicamente, sinaliza-se uma nova conotação, pela qual só será possível se encontrar evidências de violência, quando estampados nas manifestações que existem de fato, efetivamente materializadas, devidamente caracterizadas conforme o direito, ilegais, ou sejam, nos gestos, atitudes, palavras e outras formas de conduta que se exteriorizam causando prejuízo a outrem, com diversificadas expressões peculiares a cada elemento ou grupo, imaginadas por eles talvez como uma forma de comunicação mais audível, atitudes como ações, omissões, movimentos paredistas radicais e outras reações pouco convencionais que se externam como linguagem, isoladas ou não, casuais ou organizadas, individuais ou coletivas, sempre comprometendo a ordem pública e que podem ao mesmo tempo confundir polícia, governo, poder e delinqüência.
O processo de violência pode ser o resultado da química entre os caracteres hereditários de violência comuns a todos, que, atuando em determinadas pessoas desprovidas de qualquer proteção por uma compensação social, interagem com outros valores não menos defasados e adquiridos do meio em que se desenvolveu e habita, possibilitando, eventualmente, a promoção de uma estupidez, fato que corrobora a defesa de que a teoria da criminalidade pela causa ambiental mostra-se dominante fato que ninguém pode desconhecer, sendo que a eclosão da violência torna-se fortalecida e mais factível pelo fraco desempenho do sistema estatal de apoio e de controle. Como decorrência, neste processo, geralmente são envolvidas pessoas aparentemente moderadas e de todas as faixas etárias, homens e mulheres, crianças, jovens e adultos, sofridas e desiludidas, desesperadas, quase sem esperança, à beira de um estado de plena necessidade, de um colapso, falimentar, tudo decorrente de uma pressão radical de ordem político-administrativo, sem a mínima reparação e sem estímulos planejados, sobretudo, quando o sistema é ineficiente, aético e conturbado pela corrupção, permitindo uma liberdade sem a menor fronteira, cujo fenômeno poderia se chamar de violência reacionária, face aos descasos. Em resumo, poderíamos atribuir a este processo preocupante, como sendo o resultado do desequilíbrio entre si dos fatores social, cultural e financeiro, sinceramente crônico. Normalmente, a violência reacionária que é uma forma de alerta, revela e leva a concluir pela existência de um estado de necessidade grave, a falta de oportunidade e de afirmação dos elementos de um segmento, a cisão do tecido social que os marginaliza, deprimindo, reprimindo ou libertando demais, que, por outro lado, mostra a carência e a ausência ou insuficiência dos chamados direitos da cidadania ou indicadores sociais, sempre tendo relacionamento direto com o estado de pobreza miserável irreversível desse estamento apesar das suas lutas, ressalvadas exceções, entretanto, o fenômeno da violência é sempre fortalecido pelo desencadeamento de uma linguagem própria que gera uma identidade preocupante, pela unicidade comportamental e por um momento emocional dissipado por todo o contingente em estado de exclusão ou entre aqueles com os ânimos exaltados ou junto aos que se tornam inocentes úteis. É bom que se saiba, que os excluídos ou outros em condições semelhantes estão sempre mais coesos, pois o sofrimento sempre uniu fortemente mais as pessoas, mostrando-se cúmplices equivalentes. Em síntese, exclusão e desencadeamento da violência, de alguma forma, tudo se relaciona diretamente com o meio e com a ausência do Estado como um todo. A fúria que é um sinal de incerteza passa a ser uma linguagem, um grito, um instrumento, uma arma, uma defesa, a sobrevivência, cujos resultados comprometem a segurança, mas não se relaciona com a idoneidade policial, ainda que deponha contra as instituições, públicas ou privadas. Quando as ações são praticadas por grupos, ainda que aparentemente anônimos, via de regra, seus componentes têm origem facilmente detectável, de pronta identificação e com rápida localização, portanto tudo leva logo ao pleno conhecimento, fazendo concluir que, praticamente, seus agentes se expõem às investigações e assumem essa possibilidade, pois são eles que mais desejam solução para seus problemas imediatos, como tal, não se camuflam com falsas aparências. Esse procedimento diverge dos atos que produzem insegurança, onde seus autores procuram se manter no anonimato e os fazem com estratagemas, a exemplo da prática do vandalismo deliberado entre outros crimes igualmente perniciosos e insidiosos, cujos autores empreendem fuga, inclusive, todo desempenho obedece a um plano previamente planejado ou articulado mediante plano mental, o que normalmente não ocorre numa violência natural, que tem prática mais moderada e com rara ocorrência de disfarce.
A violência quando excessivamente freqüente em uma determinada pessoa ou num grupo considerado poderá expressar que os espaços reservados à cultura e existentes em cada indivíduo, ainda não foram devidamente preenchidos com fatos adquiridos da civilização que tanto caracteriza o homem atual, ainda predominando, uma forte conservação de caracteres do homem animal, com cultura de civilização decadente, sem vontade própria de mutação, cultivando apenas o que adquiriu como herança genética, refletindo traços hereditários primários, isto é, conservando a identidade daqueles atributos legados da ancestralidade, e como se conservam dominantes carecem de tempo e tratos culturais técnicos adequados e muita força de vontade para que ocorra a mutação. Muitos desses fatores que tornam uma transformação mais refratária são adquiridos, absorvidos e inoculados ao longo de várias gerações, portanto, mostram-se geneticamente resistentes às mudanças, exigindo novos parâmetros, paradigmas saudáveis e exemplares, evidentemente, prevalecendo os fortes matizes do ambiente em que cada elemento foi criado, o grau de fraternidade familiar e a prioridade que os governantes estabelecem como políticas para o engrandecimento da pessoa humana como ser social. À medida que alguém absorve integralmente uma prática urbana e se esforça para conquistá-la, praticar e manter este conhecimento como atividade útil, logo vão sendo preenchidos aqueles vazios ou espaços reservados à cultura, pela inserção de ações oportunas, que em alguns indivíduos as lacunas até então eram ocupadas por ocorrências naturais, até decorrentes do atavismo que é o reaparecimento de um caractere ancestral, mas que se manteve adormecido e desconhecido por gerações imediatamente anteriores, geneticamente explicável. Reprodução, alimentação e autodefesa imediata são funções naturais para a sobrevivência de qualquer espécie animal como assim o ser humano se inclui, e, infelizmente, só nesse estágio ainda existem e vagam pessoas e populações por todo o globo terrestre; isto é o que caracteriza o homem sapiens, como ressurreição de um longínquo antepassado cultural, com pouca evolução humana, fisiológica e mental, os quais ainda pretendem apenas coexistir no presente, como se quisessem conservar e desfrutar de um desenvolvimento de linha primitiva, sem sociedade e sem lei. Se ao longo dos tempos não forem inoculadas outras atividades, qualquer elemento vai apenas cultivando aquelas funções instintivas, de fácil imitação, inatas, congênitas, isto é, praticando pouca cousa adquirida, senão copiando fatos muito elementares e defasados. No atual estágio da civilização caracterizada pelas transformações tecnológicas e científicas e, pela rapidez das comunicações, todo tipo de comportamento extravagante desse ou daquele grupo talvez, hoje, possa ser reflexo mais de uma violência institucional do que uma variante da violência essencialmente humana herdada; não se pode entender, a essas alturas, a razão de qualquer sistema político-administrativo permitir que existam segmentos sociais com hábitos e costumes quase rudimentares e com desenvolvimento imperfeito, estacionados no seu estado ainda quase ao natural, como é o caso do percentual de pessoas analfabetas existente para a vergonha dos governos, como se o mundo estivesse parado no primitivismo da humanidade, sem interesse de reagir. Hoje, qualquer ato de violência faz levar ao tempo medieval, portanto, contrastando com o atual desenvolvimento humano, mesmo a despeito das fracas iniciativas públicas.
A violência natural isolada e com outras classificações, desde que de natureza leve e com rara incidência, pouco interferem no cotidiano da população como um todo, senão, entre as famílias das partes envolvidas, e, no máximo na área circunscrita aos fatos. Digamos, se ocorre um fratricídio, matricídio, parricídio ou cousa assim, isto não repercute na tranqüilidade da população, senão, no campo moral, mesmo que afete a ordem e a lei, merecendo a atenção do Estado; se alguém comete um isolado homicídio ou outro delito contra seu cônjuge, isto também não interfere na qualidade de vida das pessoas outras, mesmo entre aqueles que também se enquadrem como cônjuges; se dois elementos discutem e se atritam, também não é motivo de preocupação coletiva, quanto ao sossego público. Normalmente, a violência em si é um fato isolado que já aconteceu e que não estabelece qualquer influência ou ligação com o desencadeamento de futuras ocorrências similares, e, mesmo que ocorram semelhantes, não guardam relacionamento uma com as outras, são sempre questões pessoais, particulares ou próprias de certos estamentos, mesmo que quaisquer deles devam receber o tratamento adequado pelos poderes públicos, inclusive, de prevenção e penal.
Se a violência pode ser admitida por muitos como uma forma de expressão humana pela incerteza de futuro ou um reflexo da ausência de indicadores sociais, no entanto, o que dizer das fraudes, do estupro, do seqüestro, da pistolagem, do assalto, do roubo a um banco ou qualquer delito hediondo, organizado ou planejado para locupletar seus autores? Com certeza estas ilicitudes apenas são exclusivas de poucos, o que leva a crer e sem deixar dúvidas que não se trata de uma violência natural e que também não se pode fazer nenhum relacionamento à conduta humana primitiva, mais sim, caracteriza um outro comportamento que transcende ao legado humano, ao hereditarismo direto ou ao atavismo, no caso, mesmo que seja patológico, é possível se tratar do fenômeno da insegurança pública, pela ausência de ações policiais, que compete aos órgãos de segurança a pronta e necessária reparação, preferentemente, a prevenção.
A insegurança, que não deixa de derivar dos diversos tipos de violência humana, herdada ou adquirida, esta decorre do conjunto de atos e violações diversas, com ou sem causa social a reclamar por seus agentes, portanto, independente ou não da exclusão social, o mecanismo que move suas execuções é pura delinqüência dolosa, acentuando elevado grau de arbitrariedade, pela ausência de objetivos de vida e falta de compromisso, inexistência de planos para o futuro, múltiplos desrespeitos às leis, pela ganância, pela fraude, pelo oportunismo ou ocasião especial súbita que surge e sabe tirar proveito criminoso, pela ambição, pela astúcia, pelo anonimato, pelo espírito aventureiro inconseqüente, pelo estilo nômade, pela cumplicidade criminosa, pela impunidade estabelecida e, sobretudo, motivada pela função policial aparente. A prática de um ato que possa caracterizar uma insegurança é aquele que prediz a possibilidade do desencadeamento de outros semelhantes ou relacionados. Os exemplos mais clássicos e de grande repercussão são os chamados "crimes em série" e aqueles denominados de "chacinas". Alguns crimes, mesmo que a princípio praticados isoladamente, induzem a um estado de intranqüilidade e insegurança pública, por exemplo, os assaltos, os delitos praticados pelos justiceiros, os latrocínios, o terror, entre muitos outros.
Os atos que geram insegurança provocada por grupos ou elementos criminosos não primários que também podem ter suas raízes numa histórica violência herdada, ainda que estivesse adormecida nas pessoas ascendentes próximas, independente do grau de favorecimento econômico, cujo legado se transmite às gerações, mesmo que seja reaparecendo apenas em um ou outro descendente distante em razão do atavismo, no entanto, suas atividades criminosas sempre estão muito mais intimamente relacionadas com o distanciamento dos órgãos de segurança do contexto da prevenção à delinqüência, divorciados mesmos de suas funções preventivas objetivas, negligenciando quanto aos acompanhamentos das ações pré-delituosas que neste estágio ainda são de poucas proporções e de fácil controle. Essas violências sempre são produzidas de forma deliberada pelos delinqüentes, com dolo, sem barreiras e sem censura, e as fazem de maneira generalizada e constante, sendo mais ou menos intensa quanto maior ou menor for o poder de articulação da polícia, seu desempenho ao desvendar os fatos em tempo hábil e sempre mais abreviado, seu conceito na sociedade, o grau de condescendência em relação aos crimes e aos criminosos, o domínio das informações precisas e procedentes e o poder de mobilização de seus arsenais bélicos operacionais, inclusive, os recursos humanos e o capital intelectual, estes, como armas essenciais e principais desde o combate à "vitória" necessária.
A insegurança é um comportamento anômalo levado a efeito contra segmentos da sociedade sendo caracterizado por uma sucessão de práticas voluntárias e generalizadas de delitos, sempre consumadas por um elemento ou mais indivíduos ou mesmo por bandos e seus seguidores que dissipam suas atrocidades contra o patrimônio material, a honra ou a integridade física ou moral das pessoas, configurando-se pela existência de um objetivo imediato, com dolo, organizado ou apenas planejamento mental, inconseqüente, frio e calculista, normalmente, com boa dose de agressividade, com ou sem conexão com alguma cadeia criminosa, persistente, global, sem trégua, com cumplicidade e corrupção, e, com a benevolência daqueles que, à distância, dão suporte ou alimentam os fatos, onde todos objetivam locupletar-se a qualquer custo, a despeito de qualquer resultado ou conseqüências, inclusive, prevendo a possibilidade de produzir vítimas a esmo ou seletivas, sobretudo, vitimar-se, até de ser capturado em flagrante ou resistir à repressão policial incomedidamente. A insegurança se caracteriza pela sensação ou efetiva incerteza que domina o íntimo das pessoas de uma população, em razão de uma sucessão de atos delituosos generalizados ou de uma mesma espécie e com muita repercussão ou de crimes em série, diante de uma tímida ação policial, sedimentando o medo e o pavor, deixando a sociedade bastante intranqüila e, conseqüentemente, insegura. Via de regra, a insegurança, que é por todos abominável, atinge contingentes populacionais consideráveis, ante as inócuas reações da polícia; por conseguinte, a população sempre relaciona os fatos com a possibilidade da morosidade policial, fraco desempenho governamental, emergindo interpretações que depõem contra a eficiência das instituições de segurança pública, discutindo suas substituições, desacreditando-as, propugnando por medidas radicais, policiais e penais, portanto, exigindo uma posição eficiente dos órgãos de prevenção e repressão para urgente inversão da situação.
O ato de insegurança, no mínimo é premeditado, enquanto a violência em si é instintiva, às vezes, putativa, que se encerra pela preterintencionalidade, podendo ser um reflexo condicionado, uma defesa natural do indivíduo ou simplesmente uma reação àquilo que lhe oprime ou que lhe massacra, ferindo valores morais que o impulsionam, quando muito, a violência natural não ultrapassa à figura legal do "estado de necessidade" ou da "legítima defesa". Como premeditada e como insegurança, alguém sai para a prática desse ou daquele delito, a exemplo quando um bandido imagina um assalto e ruma à sua execução, seleciona sua vítima, seleciona os melhores locais, a rota de fuga, seus apoios, as armas necessárias e tantos outros meios e diligências que entram na composição de um crime quase que perfeito, ensejando uma crise e uma preocupação. Quem pratica um delito assim, sempre imagina estar fazendo um crime perfeito; isto é impossível, pois tudo deixa rastro, esquecendo que a Polícia sabe caminhar por ele no sentido inverso ainda que melancolicamente, já que não soube se antecipar aos fatos.
Mesmo que os atos de violência passem pelas características genéticas da pessoa humana e que a ação possa representar uma denúncia ou um indicativo das condições sociais, em qualquer caso, se não houver uma oportuna prevenção, carece de uma pronta repressão e responsabilização dos autores, antes que um pequeno delito se transforme num estado de insegurança, implicando na adoção de atitudes policiais compulsórias eficientes, eficazes e constantes; nada pode ficar impune. Enquanto isso, o infanticídio, o aborto, o adultério, o crime passional, o estupro conjugal, o castigo físico aos filhos, o embate entre familiares e tantos outros atos de comportamento similar, mas circunscrito, ainda que possam causar um choque, uma perplexidade e uma desaprovação geral, não são suficientes para causar um clima de insegurança junto à população, ao contrário de um único assalto, por menores que tenham sido suas proporções, logo toda população sente-se ameaçada, atingida, insegura. Enquanto que um ato de violência isolada pode causar dano a uma pessoa ou um a segmento específico, aquele que produz insegurança, mesmo que a ação tenha atingido apenas uma única pessoa, logo causa repercussão direta contra o público, ou seja, abala a segurança pública, até então incólume.
A violência isolada, como atitude humana e antijurídica, esbarra e se encerra exclusivamente entre as pessoas de uma mesma concepção e afinidades ou nos limites das fronteiras do território de seu ou seus agentes, que, mesmo assim, deve ser estudada, analisada, prevenida e, se for o caso, combatida. A insegurança se instala, quando essa violência transcende aos limites destas fronteiras, evolui, amplia-se invadindo território não enquadrado nos domínios dos agentes ou envolve pessoas e circunstâncias diversas daqueles, preocupando a todos. Podemos aqui, fazer uma comparação prática para exemplificar o exercício de uma violência em um anfiteatro e a possível instalação de uma insegurança real, mesmo em ambiente tido como de certa esportividade e tradicionalismo.Tomamos um possível "esporte" como amostragem, em que praticamente um só esportista vai competir como centro das atrações. Trata-se de uma arena qualquer, onde se desenvolve um espetáculo medieval sangrento que é um sacrifício quase macabro, para a satisfação de um grande público, cuja diversão é chamada de tourada. Ali, logo se coloca um touro devidamente furioso pelo tratamento que lhe oferecem para condicioná-lo à luta, pelo sofrimento cruel a que se submeteu nos bastidores da arena antes de entrar em cena e pela suas qualidades genéticas conservadas para esta triste disputa. À sua frente, um homem chamado de toureiro que já o esperava e envolto em uma justa e elegante indumentária colorida e reluzente, este, com formação e treinamento ao longo dos tempos e até por linhas de herança, sempre aplaudido, apresenta movimentos estudados e teatrais que impressionam aquela platéia ávida por uma sessão de tortura. O animal que logo avança enfurecido pelo sofrimento iminente, já em desvantagem, busca seu adversário que se safa. Prontamente, inicia-se uma duvidosa batalha e ali são desenvolvidas lutas desiguais, nas quais o touro não tem opção, o toureiro se disfarça ao lado do seu manto de defesa e se esforça pelo entusiasmo da torcida. Enfurecido, o animal avança e logo recebe uma estocada. Em cada estocada no corpo do animal são encravadas farpas, enquanto toda a platéia se esforça em aplaudir o herói da tortura, que pode culminar com a morte do animal para o deleite de muitos que pagaram para assistir um ato de crueldade extrema, até um prazer sádico, que, conforme a tradição do lugar, o sinistro divertimento é finalizado com a chegada do matador, cuja platéia delira com a matança do touro. A violência sangrenta chega ao fim. Aqui termina o possível espetáculo deles, que, para nós, podemos chamar aquela prática esportiva de "violência coletiva" ou simplesmente violência. Naquele terreno, epicentro do tal espetáculo vergonhoso, em local limitado e protegido por belos alambrados, todas as atitudes ali praticadas são, essencialmente e sem discussão, atos de pura violência. Enquanto a luta de tortura permanece no espaço que lhe é reservado, a platéia se deleita e o clima de satisfação é mesmo contagiante. Em casos, não muitos raros, o touro bastante provocado e impulsionado pelas dores das estocadas e até em busca de um toureiro que salta e se evade como defesa covarde fugindo da arena, o animal também salta a arena e corre a esmo por onde o espaço permitir, enquanto alguns procuram abatê-lo impiedosamente. Os fanáticos ou aficionados sentindo-se inseguros, logo entram em pânico, alvoroçam-se, clamam por proteção e entram em desespero. Todos buscam uma saída mais segura. Gera um grande conflito. A multidão estoura, entra em pânico. Esta visível ansiedade coletiva pode ser admitida como sendo a caracterização da insegurança. Note que a violência no centro da arena se desenvolvia e evoluía sem causar constrangimento aos que assistiam, mesmo que estivesse sendo insuportável para o touro e até para o intrépido toureiro. Até aí era uma violência qualquer que, mesmo inaceitável, não causava intranqüilidade pública. Agora, quando o animal rompe os limites da praça de guerra e salta na direção das arquibancadas ou cousa assim, gera um clamor, instala-se uma generalizada insegurança em todos. Era como um fato violento estivesse saindo de seu nicho e do seu território, para vitimar qualquer um, a qualquer tempo e lugar, preocupando toda uma população. Configura-se aquilo que podemos chamá-lo de in-segurança. Como se nota, iniciada a insegurança, os atos de violência não se acabam, pelo contrário, ampliam-se, em qualidade e quantidade, independente da sua origem, sem uma perspectiva de iminente controle. Na verdade, essa tauromaquia nunca foi esporte e nem arte, não é tradição e nem cultura como muitos propalam, pode até ser um culto macabro de sabor medieval, cuja violência teatral remete aos rituais de sacrifício da antiguidade, outrora, igualmente condenável. A tourada não é deleite, não é colírio, não é espetáculo, não faz bem, é desnecessária, em resumo, trata-se de uma tortura, uma covardia, uma atrocidade, portanto, uma violência para os violentos, estimulando atrocidades.
Por fim, insegurança é todo ato ou tudo aquilo que aconteceu em série ou de forma análoga e que pode ocorrer novamente, a qualquer tempo e em qualquer lugar, contra quem quer que seja ou por qualidade do indivíduo, causando danos pessoais e/ou materiais. É aquilo que deixa a população temerosa, intranqüila, portanto, insegura. É o caso de assalto aos coletivos urbanos ou rodoviários, cujas ações deixam os usuários destes transportes com medo de utilizarem para suas viagens; são os assaltos nos cruzamentos que fazem com que os motoristas fechem os vidros dos seus carros e não queiram ficar parados aguardando a mudança do semáforo; são as armas contrabandeadas e as balas perdidas; é a lei do silêncio que obriga a uma comunidade a se manter calada e quase cega; é o fechamento do comércio em obediência ao chamado poder paralelo; são os fatos delinqüentes que forçam aos moradores a permanecer trancados mais em suas residências e cerrem suas portas e janelas com grades de ferro e instalem sistemas eletrônicos. Em fim, é tudo aquilo que o povo com medo clama por segurança. Geralmente os atos delinqüentes que promovem a insegurança pública, instalando-se em cada pessoa, seus autores buscam locupletar-se materialmente, sobretudo, pelo lado financeiro, político ou ideológico, e, em algumas regiões, com cunho religioso, enquanto os objetivos os tornam inconseqüentes ao extremo, sendo, em qualquer caso, capazes de causar a mais fria atrocidade contra suas vítimas, principalmente, quando ocorrem reações ou imaginam terem sido identificados; quando não financeiras, suas intenções buscam uma insatisfação bestial de cunho íntimo ou de poder, como é o caso de estupro ou quando algum elemento com ressentimento interno passe a molestar algum tipo, gênero ou qualidade de pessoa em razão de algum trauma, preconceito ou desvio, como as discriminações raciais, regionais, religiosas ou quanto ao sexo, entre outros constrangimentos que é comum chegar à prática de agressões morais e físicas com qualquer dimensão, com alvos seletivos ou escolha aleatória.
Nos casos de violência pura ou natural, normalmente, os fatos não são movidos por interesses materiais e financeiros, exceto quando se estabelece o estado de necessidade em um elemento ou num grupo, portanto, tudo pode ser encerrado como violência isolada, ao acaso, mesmo que não se possa ignorá-la; por exemplo, se alguém revida drasticamente uma agressão verbal, fato que ocorre rotineiramente em todos os lugares do mundo, no entanto não constitui grandes preocupações junto à população que possa intranqüilizar os habitantes de uma cidade ou de uma região de qualquer porte, salvo se o comportamento passe a se generalizar, envolvendo vítimas indiferentemente da qualidade da pessoa.
Ainda existe um tipo de violência que não se externa ostensivamente, logo, surda, mas que afeta a todos ao mesmo tempo, é um tipo de violência silenciosa; ela se caracteriza por ações sórdidas e lesivas, levadas a efeito nos bastidores, que avançam numa escala de valores assimétricos, onde a prática se contrapõe às suas próprias teorias, que, além de ferir a lei penal, também abala o campo da ética e o plano moral, com graves conseqüências para o espaço estrutural e social, ao mesmo tempo, depondo contra o Estado e outras administrações igualmente passivas e ineficientes. Essas atitudes ilícitas vão desde uma fraude a um ato de grande corrupção, contribuindo para o avanço do descontentamento da população e concorrendo para a decadência da beleza humana, com implicações de toda ordem, afetando decisivamente a estrutura familiar, social e política de um povo, por conseqüência, a segurança pública, evidenciando toda sorte de violência e insegurança generalizada. Urge que as instituições de segurança pública passem a incluir nas suas estruturas orgânicas, profissionais especializados em estudos da violência humana e as formas de neutralizá-la com um mínimo de esforço policial, antes que ela decomponha a ordem jurídica de uma comunidade ou de uma sociedade.
São algumas variáveis da violência sob a nossa ótica:
a) Violência natural ou pura: uma característica comum a todas as pessoas, aquela herdada, transmitida, biológica, que geralmente relacionam-se com a sobrevivência e a competição, a autodefesa, atos de represália, linchamento, comportamento selvagem e animalesco, ações grotescas, etc, Tudo poderá ocorrer instintivamente;
b) Violência reacionária: reação às pressões sofridas; geralmente, caracteriza-se por movimentos populares, mormente, envolvendo grupos de pessoas descontentes, que tomam uma atitude extrema e descontrolada.

c) Violência estrutural: pública e privada, marginalizando o indivíduo ou as pessoas, que também poderia ser chamada como "violência do poder";
d) Violência cultural: (gera insegurança): incorporada, adquirida, imitação criminosa, convivência delituosa, prevaricação, condescendência criminosa;
e) violência profissional: (gera insegurança): surge naquele delinqüente que tem o crime como meio de vida, fazendo tudo organizado, planejado, mentalizado, e consumando seus intentos, etc;
f) violência patológica ou inimputável - quando praticada por elemento que se encontra acometido de grave doença mental, que exige medida de segurança e o torna inimputável ou quando seus executores não têm ou não se encontram com o devido entendimento das conseqüências do crime, tudo com definição nos termos da lei;
g) violência policial: aquela causada por militares, policiais ou forças afins, ou ainda, por quem esteja imbuído do poder de polícia, praticando ou não em serviço, gerando repugnância, descrédito e chocando a população;
h) violência legal: praticada em razão da lei ou sua equivocada interpretação, pelo emprego irregular de algemas, restrição de liberdade fora das prescrições penais, camuflada pelo abuso de poder, pena de morte, ações dos atiradores de elite, interrogatórios radicais, guerras entre os países, repressão ideológica ou política, "declaração de guerra ao crime", seqüestro de bens, ações de reintegração de posse, legítima defesa e outros excludentes da criminalidade, etc;
i) Violência institucionalizada: talvez possa ser caracterizada pela ausência dos poderes do Estado, pela justiça demorada, cara e "cega"; pela falta de preventibilidade policial, pelo desemprego crônico, ausência de oportunidade, preconceito social, racista, religioso, sexista, etc;
j) violência da competição ou esportiva: normalmente desenvolvida no contexto das atividades esportivas, invocando a busca da competição, praticada à vista das platéias e de todos os espectadores e do Estado, sempre concebida e acatada com muita passividade, prevaricação, cumplicidade e impunidade.
Manoel Damasceno


OK I will remeber. I wish you good health.
I like the African Brasilian Portuguses language very much I am sadden that I am not proficient since I was born here in the USA like so many more of my camradas from other countries. I just hope that you will find a person of truth in order to maintain a lively pro and con on the many issues that plague the world I am sure some Caboverdiano will reply with honestyand truth in the language of your nation Portugal. I am sorry if I have step on your toe. Again I wish you well. Manu Salah
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