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O Sul da Diáspora: Cabo-verdianos em Plantações de S.Tomé

 
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forcv
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Joined: 10 Oct 2005
Posts: 320

PostPosted: Fri Oct 03, 2008 11:34 pm    Post subject: O Sul da Diáspora: Cabo-verdianos em Plantações de S.Tomé Reply with quote

“O Sul da Diáspora. – Cabo-verdianos em Plantações de São Tomé e Principe e Moçambique...”

By Dr. Viriato de Barros
FORCV Columnist & Correspondent in Lisbon

Creio ser uma simples evidência histórica que os países desenvolvidos atingiram os diferentes estádios de desenvolvimento das sociedades que encerram a partir do que ficou conhecido na história universal como Revolução Industrial. Não vamos aqui rever esse processo desde a invenção da “Jenny” e da máquina a vapor e seus derivados, e da importância que as matérias primas passaram a ter, por um lado na produção de energia, e por outro na fabrico de diferentes produtos de consumo para alimentação, vestuário, e manutenção de hábitos identificados como de uma civilização e assim por diante, mas tão sómente partir daí para os modos e as relações de produção criados e desenvolvidos por aquilo que classificamos como sistema colonial, e do fosso aberto entre os paises industrializados, ou sejam, os paises desenvolvidos por essa via, e os outros paises, transformados em meros fornecedores de matéria prima e mão-de-obra, primeiro forçada e gratuita ( escravatura) e depois sob outras formas de exploração, que foi o propósito essencial, básico, primário do sistema colonial. A difusão da “civilização”

( europeia)e da cultura ( europeia) e da fé, (cristã, ou que por cristã era tida, no caso português) como elemento apaziguador de costumes, vinha por acréscimo, com objectivos fundamentalmente utilitários. A “ladinização” dos escravos praticada em Cabo Verde tinha por objectivo sobretudo preparar os africanos arrancados violentamente do seu meio para serem vendidos como mercadoria, para melhor servirem os seus donos. A permanência temporária dos escravos destinados a serem vendidos aos donos das plantações do sul da América do Norte, aos senhores do Brasil e outras paragens tinha essa função. O mesmo se fazia com os cavalos que eram levados para Cabo Verde para aí serem aclimatados, antes de serem re-exportados para diferentes destinos do mercado de cavalos de raça.

Factos da história da humanidade, poder-se-á dizer, em que nenhum povo povo parece estar sem pecado, se formos ver a história da escravatura e da exploração humana no mundo, mas em que os Africanos - vá-se lá saber porquê – têm sido as vítimas de eleição.
Estas considerações vêm a propósito do livro de Manuel Nascimento, “O Sul da Diáspora – Cabo-verdianos em Plantações de São Tomé e Principe e Moçambique.”

A minha primeira reacção após a leitura deste livro a exclamação que repeti à primeira pessoa que me perguntou se já o tinha lido: “Impressionante!” Penso que essa consonância, idêntica e imediata, tem a ver com o facto de ambos termos vivido em São Tomé e conhecido de perto a realidade dos trabalhadores cabo-verdianos contratados para as roças de São Tomé Príncipe no mesmo período da nossa história, período de forte consciencialização dos cabo-verdianos politicamente atentos e engajados na defesa da sua terra e da dignidade do seu povo. Falo de Onésimo da Silveira, porque foi sem dúvida dos cabo-verdianos cuja passagem por São Tomé deixou uma das marcas mais notáveis.

O livro de Augusto Nascimento é impressionante pelo rigor e pela
meticulosidade do testemunho que nos presta sobre a realidade da migração cabo-verdiana para São Tomé e Moçambique. Mas é-o sobretudo pela honestidade politica com que o faz. Só de um trabalho meticuloso e aturado de investigação e do contacto directo com a realidade sobre a qual escreve é possível apresentar uma obra deste mérito e interesse para quem queira, de facto, conhecer a nossa história, para além das conveniências políticas circunstânciais e critérios de acomodação ideológica.

Antes de prosseguir, tomo a liberdade de retirar da edição que tenho em mãos do livro uma nota biográfica sobre o seu autor.
Augusto Nascimento nasceu em Liosboa a 28 de Março de 1959. Licenciou-se em História na Faculdade de Letras da Universidade Clássica de Lisboa, em 1981. Trabalhou como professor cooperante em S.Tomé e Príncipe entre 1981 e 1987, facto determinante na definição da sua posterior trajectória intectual. Em 1992 obteve grau de Mestre e em 200 o de Doutor com a dissertação intitulada Poderes e Quotidiano nas Roças de S.Tomé e Prícipede Finais de Oitocentos e meados de Novecentos, apresentada na Universidade de Lisboa. Hohe ele é um dos mais conceituados investigadores da História de S.Tome e Principe e das comunidades imigrantes que naquele arquipelago viveram.

Acrescentaria vivem, pois muitos cabo-verdianaos que foram para São Tomé e Principe como contratados para trabalhar nas roças no regime colonial vivem ainda em São Tomé por nunca terem tido a possiblilidade de regressar às suas ilhas, findo os seus contratos de trabalho ou esvaziados de significado jurídico pelas contigências históricas, no limbo da das irresponsabilizações reciprocas.

Não resisto a transcrever a propósito a seguinte passagem do artigo “Cabo-verdianos em São Tomé e Prícipe: do chapéu de chuva à pátria na mão”:
No tocante à trajectória dos cabo-verdianos, como em relação a tantos outros aspectos, a história do pós independência de S.Tomé e Príncipe queda por fazer. Com razoável certeza, dir-se-á que na euforia da vindoura independência não houve competente negociação com o Movimento de Libertação de S.Tomé e Príncipe sobre o destino dos cabo-verdianos que, à data da independência, formavam a maior comunidade de serviçais. Aparentemente o MLSTP, que não estava interessado na partida dos cabo-verdianos, conseguiu aliciar parte deles. Alguns testemunhos aludem a promessas do MLSTP de cedência de terras aos cao-verdianos que poderiam, finalmente, realizar o seu sonho numa terra então dita irmã. Na verdade, só no plano do voluntarismo político assim se poderia considerar, mas, forçoso é pensá~lo, tal lema político encontrava força nas inóspitas e difíceis condições de Cabo Verde. À data da indepedência, os cabo-verdianos foram enconrajados a ficar pelo governo independente que terá negado vistos de saída aos que não tinham posses para os adquirir. Por razões várias, uma fracção substancial de 9000 indivíduos, a que acresciam cerca de 6500 menores, permaneceu no S.Tomé independente, enquanto a quase totalidade dos outros serviçais deixou o arquipélago.”

E mais adiante:
“Por entre equívocos própios dos processos de célere mutação social e política, ao colonialismo sucedeu-se um regime político que não favoreceu, antes pelo contrario, a afirmação social da comunidade cabo-verdiana em São Tomé e Príncipe. Se é possível aceitar, com reservas, a hipótese da oposição racial imanente ao colonialismo sobrepujar as clivagens entre segmentos de serviçais, a verdade é que a independência colocava o poder no centro do relacionamento entre nativos e ex-seviçais. No plano político, a tutela paternalista do poder a coberto da ideologia e da retórica de teor progressista visou estancar a competição que poderia ter permitido a afirmação da comunidade cabo-verdiana. Tendo a homogeneidade social como objectivo social, a política pós idependêcia combateu todas as manifestações de diferença; do ponto de vista da racionalização dessa política, argumetar-se-ia, se tal tivesse sido necessário, que a promoção social e jurídica sobrevinda com a independência dispensava qualquer aspiração à diferença. Em todo o caso, se a reverberação ideológica frisava a meta política de integração social, a verdade é que esta se restringia à base da pirâmidade social. No plano económico, e estrutura de poder e de propriedade fundiária – mantida intocada, salvo no respeitante á titularidade – condenou os cabo-verdianos e a generalidade dos trabalhadores das roças à marginaidade, agravada por uma involução dos padrões de vida e pela drástica rarefacção das oportunidades económicas. Então, à constatada marginalidade social sobrevieram as demandas de repatriamento de cabo-verdianos para que faltaram os meios. » ( Fim de citação)

O livro consta de varias artigos que o autor considera com sendo um modesto contributo para a história das migrações cabo-verdianas, segundo ele ainda por fazer, não obstante valiosos contributos como os de de António Careira e de Ana Saint- Maurice. Para nós, este trabalho de Augusto de Nascimento é, sem dúvida, uma das mais importantes contribuições existentes para o conhecimento e para uma avaliação mais rigorosa de todo esse processo, dos tempos coloniais á situação presente.

Propõe-nos os seguintes títulos:
-“ A evolução da politica colonial e os padrões de recrutamento dos cabo-verdianos para S.Tomé”, em que expõe os meandros da política colonial que conduziram ao recrutamento de trabalhadores de Cabo Verfde para São Tomé nos anos Novecentos.
- “ Representações Sociais e arbítrio nas roças: as primeiras levas de cabo-verdianos em São Tome e Príncipe nos primórdios de Novecentos” onde aborda os “conflitos, a composição social num contexto de dominação, a reafirmação da cidadania e, por entre as injustiças justificadas pela emergência de um pensamento hegemonizado pelo racismo, a imposição de um limite ao arbítrio dos roceiros, a saber, o do cumprimento dos contratos, designadamente no tocantes à repatriação”
- “Réplicas do esteriótipo: caboverdianos em Moçambique nos anos 1940 e 1950” em que analisa a presença de cabo-verdiana naquela antiga colonia portuguesa do Indico, como resultante de negociações equivocadas e assentes na permuta de favores entre empresas e o governo, abordando a ideia de esterótipo do cabo-verdiano utilizado pelas sociedades proprietárias de plantações em Moçambique como arma para se livrarem do que passou a ser para eles um incómodo encargo social imposto pelo governo de Lisboa.
-”Mulheres e ordenamento social nas roças em São Tomé e Principe”
Onde trata o tema das posição das mulheres cabo-verdianas contratadas para São Tomé e Principe para efeitos do que o autor chama “engenharia social e pólitica de São Tomé e Príncipe”.

O autor propõe-nos ainda na sua colectânea o trabalho “Cabo-verdianos em São Tomé e Principe: do chapéu de chuva às pátria na mão”, do qual tomei a liberdade de vos citar algumas passagens, pela forma claramente elucidativa como me parecem representar este testemunho de Augusto de Nascimento.

Esta é um obra de extrema oportunidade, cuja leitura se torna inadiável para quem queria entender esse caminho longe para São Tomé e outros caminhos, caminhos de sobrevivência e defesa de dignidade, empreendidos pelos cabo-verdianos como homens, mulheres e, de que maneira, como crianças, ao longo da sua história.
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St_antao



Joined: 11 Oct 2006
Posts: 716
Location: FR

PostPosted: Sun Oct 05, 2008 5:44 am    Post subject: Reply with quote

It is interesting to read this, but I would be more interested if this text was put more into comparison and context.

can you explain to the readers who were the people sent to sao-tomé, where there only cape-verdeans? where there people from madeira or azores who have been forced to move there as well? were there mozabicans, guineans and angolans who have been forced to go there as well? How far was this due to the facist government policy? Did non facist governments send people by force in sao-tomé as well?

Finally why? why were all these people sent to sao-tomé and not to angola or guinea?
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salah Mateus



Joined: 17 Oct 2006
Posts: 852

PostPosted: Sun Oct 05, 2008 5:41 pm    Post subject: Reply with quote

St_antao wrote:
It is interesting to read this, but I would be more interested if this text was put more into comparison and context.

can you explain to the readers who were the people sent to sao-tomé, where there only cape-verdeans? where there people from madeira or azores who have been forced to move there as well? were there mozabicans, guineans and angolans who have been forced to go there as well? How far was this due to the facist government policy? Did non facist governments send people by force in sao-tomé as well?

Finally why? why were all these people sent to sao-tomé and not to angola or guinea?


Why WHY WHY?

YES ALL THE ABOVE WAS DONE TO ALL. YOU MUST REMEMBER THAT POOR PEOPLE FROM THE AZORES OR FROM MADEIRA ALL SUFFERED UNDER PORTUGUESES COLONIALISM. YES THEY DID SEND THE POOR AND THE LESS EDUCATED TO ST TOME.. THOSE CABO VERDIANOS WHO WERE FROM THE AZORES TOOK SIDES WITH THOSE WHO SUFFERED.MANY PEOPLE SUFERED FROM THE AZORES & FROM MADEIRA.

EVEN TODAY THERE IS SOME DIFFERENCES AMONG THEM.

Manu Salah
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viriatob



Joined: 09 Oct 2008
Posts: 1

PostPosted: Thu Oct 09, 2008 8:17 am    Post subject: Reply with quote

I thank FORCV readers St.Antão and Manu Salah for their interest in my article and I shall try and answer the questions raised in their comments.

The people sent to Sao Tome and Principe were not the Cape Verdeans only. The Portuguese colonial government recruited Africans from Mozambique and Angola as well to work in the cocoa and coffee plantations of Sao Tome called “roças”. The workers were nor forced by any kind of law or by the colonial authorities, but the Cape Verdeans, for example, were recruited under a contract which they signed of their own accord, but the fact remains that they were forced by the circumstances to choose that solution for their survival.. Cape Verde was, as still is, subject to cyclic periods of drought, and as most of the islands population lived, or tried to live on agriculture, unless they had some kind of support from the Government, people suffered famine, as the history of our islands tragically registers. So for many it was the only way out and the contract as “serviçais” represented some hope to them. Unfortunately the working conditions offered to them were utterly degrading, to say the least. No, they were not sent by force, but what choice did they have? It was part of the colonial policy to, so to say, kill two rabbits with one shot. This way, on the one hand they “solved” the problem caused by the droughts in Cape Verde, and, on the other hand, they supplied workers for the “roças” of Sao Tome, in a kind of collaboration, or complicity between the Government and the companies that owned the plantations,. The natives of Sao Tome refused to work in the plantations under contract. As one Sao Tomean. put it to a Portuguese TV reporter in a documentary about Sao Tome, after independence, the very word ”contract” sounded like slavery to them. The fact that nature has been so generous to those islands where “fruta-pão (bread fruit) , “jaca” and other fruit grow wild, and the sea is rich with fish, helped them in their decision not to work in the plantations All you need to make “calulu”, a delicious Sao Tome dish is dried fish, green bananas, and some “make” and some “kiabu”. Our “cachupa”, and our “djagacida” are more complicated. Corn and beans have a longer cycle of growth until they are ready to be cooked. The people of Sao Tome who were poor knew that at least they would not starve. The few Cape Verdeans who managed to break the contract and work on their own, were better off growing cassava and other crops discreetly in the town suburbs or in some small piece lf land they found.

Other “contratados” were also sent to Mozambique. As far I know none were sent to Guiné-Bissau. The Cape Verdeans who went to Guinea-Bissau were either civil servants, or worked for the state bank (Banco Nacional Ultramarino), or for some private company.as clerks. To my view, the explanation for this is partly that the kind of workers called “contratados” or “serviçais” were more needed in Sao Tome. As to people from Madeira and Azores those who went to work in the colonies had different working conditions. It should also be said that the Cape Verdeans who worked as civil servants belonged to another category of workers and had different positions in the colonial administration, from simples civil servants to top officials. That was another reality which coexisted with the one described. I worked in Sao Tome for three years, as a high school teacher. In the same period there were other Cape Verdeans who worked there as civil servants. Some work in what was called the Overseas National Bank, the first and second top officials of the finance department were Cape Verdean, the Judge – the only one the country was Cape Verdean, the Bank Director was Cape Verdean, and so on. any Cape Verdeans worked in Guinea-Bissau, Angola and Mozambique, but also in Timor and Macao as civil servants, many were doctors, nurses, engineers, teachers and other professions, who were part of this other reality.. I agree with St.Antão when he says that things should be put in context to be understood, otherwise we run the risk of falsifying the true.

As to why?, Manu Salah, the African people seemed to be what I called the “vítimas de eleição”, or the “chosen victims” ,” in a free translation,) of oppression and exploitation,, even by their own brothers, that is a question I keep asking myself. Why, Salah, Why?
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salah Mateus



Joined: 17 Oct 2006
Posts: 852

PostPosted: Thu Oct 09, 2008 10:22 am    Post subject: Reply with quote


Thank you Viriato B.

I knew you would come through for us.

That is part of the history that I would know nothing about.

Being from the USA.

It is good that good people like you are still around.

Thank you my dear friend and cousin.

Thank you for your kindness.
Manu Salah
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St_antao



Joined: 11 Oct 2006
Posts: 716
Location: FR

PostPosted: Fri Oct 10, 2008 3:45 am    Post subject: Reply with quote

thank you viriatob,

these kind of articles gives the image that the Portuguese colonialists (facists?) where targeting cape-verdeans by
1) voluntarilly making them starve
2) not bringing them food in purpose to let them die
3) sending them to sao-tome by force.

Here you inserted a very interesting and important parameter which is social class.
I would be ineterested to know

1) if the fact that Portugal was lead by a facist government made the situation worst than when it was the Monarchy or a normal Republic. and
2) I am interested to know if the portuguese were targeting the capeverdeans (if yes, then why didn't they do the same with the sao-tomeans).
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salah Mateus



Joined: 17 Oct 2006
Posts: 852

PostPosted: Fri Oct 10, 2008 6:59 am    Post subject: Reply with quote

St_antao wrote:
thank you viriatob,

these kind of articles gives the image that the Portuguese colonialists (facists?) where targeting cape-verdeans by
1) voluntarilly making them starve
2) not bringing them food in purpose to let them die
3) sending them to sao-tome by force.

Here you inserted a very interesting and important parameter which is social class.
I would be ineterested to know

1) if the fact that Portugal was lead by a facist government made the situation worst than when it was the Monarchy or a normal Republic. and
2) I am interested to know if the portuguese were targeting the capeverdeans (if yes, then why didn't they do the same with the sao-tomeans).


Gee! I think perhaps we make a mistake when we say the Portuguese because there was a big difference between the facist government and the mass population of the people who also suffered.

But I am sure that Dr. ViriatoB will help you to understand better.
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