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Imigração, Exclusão e Integração

 
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Dr. Viriato de Barros
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PostPosted: Thu Sep 07, 2006 8:02 pm    Post subject: Imigração, Exclusão e Integração Reply with quote

Dr. Viriato de Barros Correspondente da FORCV em Lisboa

[b]Dr. Viriato de Barros actualmente investiga temas de História, Literatura e Interculturalidade ligada a problemas de educação e inserção de imigrantes e é membro permanente do corpo docente do Centro de Estudos Multiculturais em Lisboa.

Se é verdade que o isolamento étnico e cultural faz muitas vezes parte de uma estratégia de auto-protecção e preservação da espécie, também é verdade que o mesmo pode trazer efeitos perversos que poderão ir até aos extremos de auto-exclusão e comportamentos agressivos contra os outros grupos étnicos ou culturais. Em muitos casos gera sentimentos de superioridade em relação aos outros grupos. O isolamento ou a segregação levam, por outro lado ao desconhecimento completo do que passam a ser "os outros" e à formação de preconceitos, de ideias feitas, que vão substituir a confiança recíproca que nasce do convívio, do intercâmbio e do conhecimento mútuo. A situação agrava-se ou acentua-se quando à formação de grupos com base na origem étnica ou na identidade cultural se associa a identificação com partidos e se constituem objectivos políticos a partir de premissas de natureza étnica e cultural, associadas ou não a causas religiosas.

É precisamente esse o terreno propício ao culto dos ideias de supremacia étnica ou rácica, entre outras. Veja-se a formação do partido Nazional Sozialismus ( Nazi) na Alemanha de Hitler, a Inquisição e os assassínios e perseguições perpetrados em nome da Fé, a Ku Klux Klan, nos Estados Unidos etc, etc. Mas é também esse o terreno onde se gera a formação de gangs, como forma de saída para as situações de marginalidade e exclusão social. Os gangs desviam-se das leis da sociedade que as envolve, mas em que se não integram, adoptando as suas próprias regras, códigos e líderes, criando a sua própria estrutura de poder e normas de actuação, ao mesmo tempo que desenvolvem uma subcultura de gueto, a que se associa um código linguístico próprio, com um conjunto de atitudes e gestos e, até, certas formas de expressão artística, com as que vemos reflectidas nas canções "raps", graffiti, penteados, etc.

Em Portugal o fenómeno é relativamente novo e ter-se-á acelerado com o processo de descolonização iniciado em 1974/7 e tem sobretudo a ver com imigrantes de origem africana. Até essa data, as pessoas de origem africana com que os portugueses se tinham habituado a conviver traziam hábitos e costumes das suas respectivas terras de origem, que eram então colónias portuguesas. Os grupos imigrados diluíam-se na sociedade portuguesa e eram integrados sem muita dificuldade. A primeira geração de imigrantes (rigorosamente não se classificavam como imigrantes, já que provinham de colónias portuguesas, ou do que se passaram a chamar províncias ultramarinas portuguesas) era facilmente integrada ou pelo menos adoptada num regime de coexistência que se poderia definir como de aceitação mútua e sem grandes atritos, sobretudo quando não havia diferenças muito acentuadas de nível económico e cultural. À medida, porém, que a afluência de pessoas provenientes das antigas colónias foi aumentando e o mercado de emprego mais acessível aos imigrantes cabo-verdianos se foi saturando, enfrentavam o desemprego, refugiando-se à sombra dos próprios guetos ou em barracas construídas na periferia dos centros urbanos. Para o cidadão comum português o termo "cabo-verdiano" passou a ser utilizado para designar qualquer indivíduo africano, por comodidade linguística por vezes, já que os cabo-verdianos constituíam a maioria dos imigrantes cabo-verdianos. Com os seus inconvenientes próprios: qualquer acto de delinquência ou mesmo crime praticado por um africano tende a ser atribuído de imediato ao "cabo-verdiano". "Fazi, bu ca fazi, tudo cusa e badio." O exíguo poder económico que lhes permitiam os seus salários não lhes dava qualquer possibilidade de aquisição de habitações normais, nem tão pouco de as alugar, pois não só em Portugal o mercado de arrendamento se encontrava há muito em crise, como havia forte relutância, ou mesmo rejeição total, em alugar casas a africanos nessas condições.

Naturalmente as péssimas condições em que os filhos dos imigrantes foram sendo criados e educados foi gerando uma nova categoria social à margem dos centros urbanos ou em guetos formados dentro dos mesmo centros. O afluxo populacional súbito e massivo desencadeado pelo processo de descolonização, mau grado os esforços organizacionais das estruturas de controle montadas, teve um percurso paralelo espontâneo que foi gerando formas próprias de sobrevivência fora de quaisquer esquemas programados ou previstos, como era de esperar nas circunstâncias. Nesse sentido poderá entender-se que "essa foi a descolonização possível". A descolonização surge com um "acto necessário" na fase final do desmantelamento de um sistema. A posterior gestão dos complexos problemas gerados no seio das ex-metrópoles coloniais, como consequência disso, é outra questão. Esta é uma sociedade étnica e multicultural. Gozou longamente de uma reputação de brandos costumes. Gradualmente o vírus da desconfiança sistemática, da insegurança e da violência vai-se instalando. Os locais de explosão são sempre os mesmo. Os dedos acusatórios tendem a apontar perigosamente num determinado sentido. E nessa equação causa e efeito não faltam bodes expiatórios para pôr cobro aos efeitos.
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PostPosted: Thu Sep 14, 2006 5:25 am    Post subject: Reply with quote

De facto, a chave de sucesso no pais receptor e' uma integracao 'a cultura local sem perder os valores da sua terra de origem. Em outras palavras, o imigrante deve selecionar o bom da cultura da terra que o acolheu e integra-los aos valores da sua cultura original que vao de encontro 'a seu novo tipo de vivencia.
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